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Entrevista com Bernardo Berro


Bernardo Berro é ator, cantor, diretor, dublador, professor e Produtor Teatral. Trabalhou em mais de trinta espetáculos teatrais, destacando-se seus últimos trabalhos como ator e cantor, em teatro musical. Na função de Diretor já trabalhou em mais de vinte obras teatrais, sendo elas amadoras e profissionais e atualmente dirige uma remontagem de "A Formiga Encrenqueira", em São Paulo, com estréia prevista para Março de 2021. Confira o bate-papo que tivemos com ele sobre sua história com a arte:


Conta pra gente a sua história com o Teatro Musical.

Eu venho de uma cidade no interior do Estado de São Paulo, Jaú, onde sempre tivemos poucas peças de teatro e nunca tivemos um espetáculo Musical. A minha paixão pelo Teatro Musical começou em 2002, quando, em uma visita a São Paulo, tive a oportunidade de assistir ao Musical "A Bela e a Fera", no então Teatro Abril, fiquei simplesmente apaixonado. Além daquele teatro ser lindo, o espetáculo me fez brilhar os olhos e ter vontade de, um dia, estar no palco fazendo Teatro Musical. Ali, obviamente, não imaginava que um dia realmente trabalharia com isso, com essa paixão, Teatro Musical, a primeira vista fiquei encantado, apenas. Durante a faculdade em Artes Cênicas na UNICAMP (Campinas), tive aulas de Canto para o Ator com a maravilhosa Maestrina Vânia Pajares, que nos proporcionou novas visitas a Musicais em São Paulo, o que, durante minha formação, me trouxe ainda mais certeza de que um dia queria fazer esse tipo de trabalho na área. Vânia sempre incentivou, não diretamente o Musical, mas o Canto como ferramenta importante do trabalho do ator.


Quando me formei vim para São Paulo para fazer Especialização em Dublagem e Locução e, fui chamado para dar aula na Oficina de Atores Nilton Travesso, onde lecionei durante dois anos. A escola chegou a tomar quase todos os meus dias, em horários diferentes, o que impossibilitava a participação em qualquer audição em Teatro Musical. Porém, em 2015, já fora da Oficina de Atores, tive a oportunidade de fazer minha primeira audição, Musical "Dias de Luta, Dias de Glória", cujas coreografias eram de Rip Hop, então, como exímio dançarino que sou, eu não passei. Na sequência veio minha segunda audição, para o musical "Canção dos Direitos da Criança", com Direção de Carla Candiotto, Direção Musical de Daniel Rocha e Coreografias de Beto Alencar. Na audição eu não conhecia absolutamente ninguém e, pelo que disse Bel Gomes, querida amiga (hoje) e produtora de elenco, ninguém me conhecia também. Todas as pessoas que estavam participando da audição eram conhecidos do mercado ou mesmo alunos do Sesi em Teatro Musical, mas eu era o "pintinho fora do ninho". Me entreguei com amor e carinho a audição, não sabia ao certo o que era o espetáculo, não conhecia. Amei o processo, tudo em apenas um dia, uma loucura, divertida e linda a audição. Espera, ele disse "audição linda"? Sim, eu disse. Foi uma delícia o dia que passamos em testes. Lembro até hoje que, na fase final, de coro, os Diretores usaram a palavra e, por se tratar de um espetáculo Infantil, recordo das palavras do querido Daniel Rocha que "nossa responsabilidade é muito grande, pode ser que seja a primeira vez que uma criança vem assistir uma peça de teatro. É nossa responsabilidade fazer com que ela queira voltar, por isso tudo deve ser feito com amor, carinho e, acima de tudo, muita verdade". Isso emocionou a todos ali presentes e me fez refletir ainda mais sobre o que eu estava fazendo ali e a importância (gigantesca) que isso teria pra minha carreira. Dias depois, quando eu visitava meus pais no interior, recebi um e-mail dizendo que eu tinha sido selecionado pro elenco do "Canção dos Direitos da Criança", meu primeiro musical, onde fiz o papel de uma criança, Coisinha (Ignácio). A alegria, obviamente, era imensa e a honra era gigantesca de trabalhar com pessoas tão incríveis.


Durante a temporada de Canção, recebemos a divulgação das audições de "O Musical Mamonas", que aconteceriam em Dezembro de 2015, com Direção de José Possi Neto, Direção Musical de Miguel Briamonte e Coreografias de Vanessa Guillen. Eu sempre fui fã dos Mamonas, então mandei meu material para fazer a audição para Júlio, mas me chamaram para audicionar para Ensemble. Participei das audições, todas as fases e fui passando para as próximas (fiquei feliz em ter passado em Dança, meu maior desafio nas audições). Até chegarmos na final, onde marcaram um callback numa segunda feira, 10 horas da manhã e, nesse dia, de surpresa, anunciaram que éramos o elenco de "O Musical Mamonas". Ficamos durante 18 meses em cartaz, quase que ininterruptos. No total 6 meses em São Paulo, de Quinta a Domingo e no Rio de Janeiro um total de 3 meses, praticamente, de Quinta a Domingo. Apresentar Mamonas era uma delícia, um prazer de verdade. Viajamos por mais de 26 cidades no Brasil todo e, em turnê, cada final de semana estávamos em uma cidade diferente, com públicos diferentes. Foi realmente muito enriquecedor participar desse espetáculo e viajar em turnê. Recebi o Prêmio Botequim Cultural do Rio de Janeiro como Melhor Ator Coadjuvante de 2016 pela participação neste espetáculo. Mamonas encerrou sua primeira temporada em Julho de 2017, na cidade de Guarulhos, berço da banda.


Após Mamonas, vieram as audições de Peter Pan, um grande desafio. Direção de José Possi Neto, Coreografias de Alonso Barros e Direção Musical de Carlos Bauzys. Participei da audição e foi uma das mais desafiadoras, em termos de coreografia, que já participei. Mas me joguei de cabeça, com muita vontade de participar do espetáculo. Alguns dias depois das sete etapas que participei nas audições, recebi a ligação dizendo que eu tinha sido selecionado para ser um dos Meninos Perdidos. Uma alegria imensa e uma honra participar de um espetáculo tão lindo. Um fato curioso é que no Teatro Alfa, tive a oportunidade de trabalhar com Daniel Boaventura, hoje um amigo querido, um dos atores que me inspirou a buscar o teatro musical (inconscientemente), pois naquela apresentação de "A Bela e a Fera", no Teatro Abril, que citei anteriormente, ele fazia o personagem Gaston, um dos meus vilões preferidos.


Durante as apresentações de "Peter" recebemos a divulgação das audições de "ANNIE", com Direção de Miguel Falabella, Katia Barros nas coreografias e Direção Musical de Daniel Rocha. A vontade de trabalhar com Miguel, Katia e, novamente, Daniel, era imensa. Portanto participei das audições para o Atelier de Cultura e passei nas audições para integrar o Ensemble do Espetáculo, experiência incrível estar em "ANNIE", quando meu contato com as crianças no palco se intensificou e me apaixonei ainda mais por trabalhar com crianças (meninas incrivelmente talentosas que faziam os 3 elencos de Annie). Na sequência vieram as audições para "APARECIDA", texto de Walcyr Carrasco, com Direção e Coreografias de Fernanda Chamma e Direção Musical de Carlos Bauzys. Sempre fui devoto de Aparecida e, durante muitos anos, cantei em igreja católica, por coincidência, meu solo no espetáculo, junto com Dan Cabral, era "Ave Maria", que cantei durante muitos anos na igreja, em casamentos e eventos. Durante esse processo surgiram as audições para Escola do Rock. Meu sonho sempre foi fazer esse musical, óbvio que a vontade maior era de fazer Dewey Finn, mas participei das audições para Ensemble e fui convidado a integrar o elenco do espetáculo. Após "Escola do Rock" fui convidado a participar de uma temporada de ALADDIN, fazendo o personagem Gênio da Lâmpada, que estrearia em Abril de 2020, mas por conta da pandemia foi suspenso.


Como diretor em Teatro Musical tive vários presentes, dentre eles: "Ponto de Partida", espetáculo teatral adaptado por mim como Teatro musicado; "Mamma Mia? Que absurdo!" (montagem acadêmica), adaptação minha do musical da Broadway, com toques de Teatro do Absurdo; "Fora de Mim", texto meu de 2011, transformado também em Teatro Musicado; "Meu Amigo Charlie Brown" (montagem acadêmica); "Gota D'água" de Chico Buarque (montagem acadêmica), também com adaptações musicais; e mais recentemente "Cadê a Criança Que Tava Aqui?", texto original meu, Coreografias de Davi Tostes, Direção Musical de Rodolfo Schwenger, com músicas originais de Lucas Mendes e Luiza Ferrari, que voltará em cartaz esse ano de 2021 em dois teatros diferentes.


O que te inspira a dar aulas de Teatro Musical? Como surgiu o foco nas crianças?

Sou um cara que vem de uma formação no teatro clássico, tradicional, não no teatro musical. Venho da direção de teatro e não de teatro musical, mas a música sempre fez parte da minha vida e entendo a importância da versatilidade do artista para qualquer trabalho. Em vários trabalhos que fiz até hoje foi a música que me colocou lá, óbvio que a maioria deles a minha função de ator era predominante, mas em musical tive espaço para ser o ator que canta. Mas eu acho incrível a linguagem multidisciplinar do ensino, oferecendo as diferentes frentes de trabalho do artista em teatro musical para os alunos. É realmente a forma mais completa e eficaz de preparar o ator para qualquer tipo de trabalho.


Acredito que a preparação do ator é algo necessariamente constante, diária e habitual. O ator, assim como muitas profissões, não deve nunca parar de estudar e, principalmente, deve se desafiar a cada dia. Quando dirijo uma obra, é mais do que fundamental que eu pesquise sobre o texto, as músicas, o enredo, a época em que a peça foi escrita, a época em que a peça se passa, quais as características principais das personagens, qual a tonalidade do espetáculo (cores), e muitos outros detalhes que nos permitirão criar o espetáculo sob um norte criativo. Se o diretor tem essa necessidade de pesquisa, também o ator deve ter, para o estudo de sua personagem, de suas músicas, dos números coreográficos, etc, por isso a importância de não parar de estudar.


O início é tão importante quanto a realização final de subir no palco em um grande trabalho. Se o começo dos estudos é na fase da infância, onde a pessoa é mais aberta ao conhecimento e ao entendimento das coisas, onde ela consegue se jogar com mais facilidade e sem medo de errar, o resultado é sempre mais positivo que se instruída apenas na vida adulta. Por isso que incentivo, e muito, o estudo de qualquer frente da arte por parte das crianças. Seja o teatro musical ou mesmo o teatro, a dança ou o canto de forma isolada. Permitir que a arte faça parte do dia a dia aguça a capacidade criativa da criança e explora sentimentos diferentes, mostrando possibilidades de enxergar certos fatos diários da vida. O foco nas crianças surgiu a partir do curso que criei Preparatório para as Audições de Escola do Rock. Nesse curso tive duas turmas, uma Extensiva (6 semanas) e uma Intensiva (apenas dois finais de semana). Sou meio doido, eu sei, mas esse curso extensivo proporcionou aos alunos não somente a preparação para UMA audição, mas o entendimento do funcionamento de todas elas. Proporcionou aos alunos o entendimento da obra, das músicas, dos gatilhos das personagens e de como apresentar isso no teste, mesmo que fosse apenas durante a apresentação de uma música em conjunto. Tivemos vários alunos que passaram nas audições e nunca faço questão de divulgar seus nomes, pois não foi mérito de um curso e sim da dedicação de cada um deles. Meus alunos não são troféus, são atores incríveis que lutam por seus sonhos e merecem suas conquistas e méritos por elas. Prepará-los é um prazer, uma satisfação. Ver o sorriso no rosto deles é o melhor retorno que podemos ter.


A partir desse curso realmente minha identificação com as crianças foi muito maior, a necessidade de criar conteúdo de qualidade para as crianças me moveu a inventar e reinventar muitos cursos e atividades, inclusive textos teatrais para crianças, mas nunca tratando a criança como uma pessoa atrasada, pelo contrário, tratando-as como profissionais e seres humanos que pensam, sentem, vivenciam e que, com responsabilidades nas mãos, darão seu melhor para conquistar seus objetivos. Em 2019, na sequência do curso Preparatório do Escola do Rock, criei meu primeiro curso em Teatro Musical para crianças, um curso de montagem original, cujos dois primeiros meses serviram de base técnica de canto, dança e interpretação e os outros quatro meses foram de montagem, onde surgiu o "Cadê a Criança Que Tava Aqui?", um projeto completamente autoral, feito para as crianças do curso. Hoje esse espetáculo é profissional, mantivemos o mesmo elenco original e por impossibilidade de duas atrizes participarem acabamos abrindo audições para a temporada 2021, então temos novos integrantes no elenco, dois titulares e uma swing. Trabalhar com crianças se tornou mais do que um trabalho, se tornou uma paixão, uma realização. Vê-los no palco, fazendo o que amam, e cada dia melhores, é uma realização pessoal e profissional.


A pandemia do Civid-19 mudou a rotina de todos nós, como você se adaptou a ela?

Durante praticamente 1 mês não consegui desenvolver nenhuma atividade. De fato respeitei muito, no início, o isolamento. Porém alguns trabalhos voltaram a acontecer e vários precisavam ser de forma presencial. Em casa consegui continuar dando aulas de dublagem (pela Central Dubrasil de Dublagem, onde dou aula há 7 anos), de teatro musical para adultos (pela escola THYMELI, onde dou aulas há 3 anos) e também consegui gravar diversas locuções e audiobooks.


No terceiro mês de pandemia alguns estúdios de dublagem e locução começaram a realizar gravação presencial com todos os protocolos de segurança e também algumas produtoras de gravação de cinema e publicidade retomaram, aos poucos, as atividades de set de filmagem. O que me permitiu conseguir alguns trabalhos durante a pandemia em publicidade. Durante a pandemia tive a oportunidade de dirigir duas séries de dublagem, além de dublar bastante de forma presencial ou remota.


Paralelamente a isso tive que reinventar alguns cursos e atividades, encontrei alguns formatos que funcionaram muito bem para o público infantil e também adulto, o que tem me proporcionado continuar com o ensino a distância, mantendo a qualidade e o aprendizado com interação, dinâmica e principalmente conteúdo de qualidade.

Não é fácil dar aula de teatro online, eu acho que na maioria das vezes é inviável e acaba se tornando um curso de cinema, de tv e não de teatro. O teatro precisa do contato, precisa do jogo ao vivo e fui o que tentei proporcionar mesmo à distância. Sinceramente, foi bem divertido.


Além disso tudo aproveitei o tempo com a família em casa, além de abrir a cabeça a novos conteúdos, como um texto novo que estou escrevendo, um musical totalmente autoral, que ainda não sei se produziremos esse ano ou no ano que vem, mas vai ser muito legal.


Você tem dado cursos on-line, nos conte um pouco sobre eles.

Criei vários cursos na pandemia, sendo eles:

1) "A Palavra? O Pensamento!" - Leitura Dramática Online - curso de leitura de cenas de musicais que eu mesmo adaptei, para que tivéssemos o entendimento das personagens e o estudo da obra a partir de cenas originais dos espetáculos - peguei personagens de um musical específico e dei mais voz a eles, com o objetivo de desenhar personalidades e estimular os alunos a reconhecerem características das personas a partir do texto - vou montar turma nova desse curso em Março, ainda online e tenho previsão de torná-lo um curso presencial no segundo semestre.


2) O Ator e a Publicidade - curso destinado a adultos sobre o mercado de publicidade e a participação do ator dentro dele - como funciona o mercado, perspectivas, inserção do profissional, agências confiáveis, etc - esse curso vai ter turma nova agora em Fevereiro/Março de 2021.


3) Locução Comercial - curso destinado a adultos sobre o mercado de locução comercial.


4) Coaching de Interpretação - atividade que eu fazia apenas presencial, comecei a desenvolver online com alguns alunos ainda, o que me possibilitou também alunos de outros estados e até de fora do Brasil - continuo fazendo essa atividade online ou presencial.


5) "Construção da Personagem" - curso para o público infantil com o objetivo de trabalhar a construção da consciência de pensamento, de linha de raciocínio e de construção de características da personagem a partir de diversos estímulos criativos.


6) O Jogo Teatral - turma de adultos (1) e turma infantil (4) - curso que tem como objetivo despertar o ator para o jogo teatral - esse curso terá turmas presenciais esse ano pois permite, mesmo que presencialmente, um distanciamento para o acontecimento do jogo.


7) Introdução a Dublagem - um bate papo sobre o mercado da dublagem e seu funcionamento - instrução sobre cursos práticos e sobre inserção no mercado de trabalho.



Você já teve muitos alunos e é amigo de muitos atores, qual a sua dica para se manter atualizado e ativo nessa quarentena?

Na minha carreira sempre fui defensor de que "quer quer trabalhar com teatro precisa se alimentar de teatro". Acredito que como os teatros e cinemas estiveram fechados por muito tempo, muitas produções decidiram propagar a arte nas redes, nas plataformas digitais e isso facilita o acesso a muitas pessoas. Aproveitar esse momento em casa para ler, estudar, assistir (se alimentar de cultura de diferentes formas) é um bom começo. Várias atividades relacionadas ao Teatro Musical puderam continuar sendo feitas dentro de casa, online. Reforçar os estudos com canto, com leituras de peças teatrais, com aulas de dança online, dentre outras atividades que alimentem, criativamente, os atores.


Muitos amigos criaram conteúdo online de qualidade e isso é incrível, eu dei foco mesmo aos cursos e instruções, para adultos e crianças, mas durante a pandemia assisti muitos espetáculos que não tinha tido a oportunidade antes, além de me alimentar de séries e filmes de qualidade que não tinha tempo de assistir. Tudo isso é se alimentar de arte. Ficar em casa assistindo filmes e séries em uma plataforma X ou Y não é perda de tempo, depende de como assistimos, qual nosso objetivo, que deve ir além do entretenimento.


Eu li bastante durante a pandemia, coisas variadas. Sobre teatro e principalmente sobre coisas que não tenham nada a ver com o meu ramo de trabalho, o que possibilita a cabeça a não ficar apenas em um único lugar ou gerando ainda mais ansiedade para retorno de atividades. A gente nunca sabe tudo, é necessário buscar, ler, estudar, sempre!


Qual a dica que você dá para quem está querendo começar no Teatro Musical?

Minha dica é que estude, estude mesmo, se dedique. Busque entender QUEM É VOCÊ e o que você precisa desenvolver como artista. Conheço muitas pessoas que fazem aula de canto há 10, 15 anos, e continuam fazendo aula até hoje. Sempre há o que aprender, praticar, desenvolver, ainda mais quando se trata de musculatura (canto e dança, principalmente). Existem muitos artistas que acreditam estar prontos, mas o grande desafio de ser ator é que nós nunca estamos prontos completamente, por isso nós sempre nos preparamos. Nós nos preparamos quando buscamos formação artistica para ser ator. Nós também nos preparamos para uma audição específica, para entrar num espetáculo, numa produção. Quando no elenco, nós nos preparamos para fazer esse espetáculo, o personagem X, a direção da peça Y, o desenho de cenário e figurinos da montagem Z. A gente nunca pode parar de estudar ou achar que está 100% preparado, pois isso não existe. Posso estar preparado para enfrentar o desafio, mas preciso me alimentar de muitos conteúdos para realizá-lo. Por isso a minha dica é: ESTUDE. E uma outra coisa importante, nunca é CEDO ou TARDE demais pra estudar, pra se profissionalizar, para encarar sua carreira com seriedade. Por isso se jogue!


CURRICULO RESUMIDO - Bernardo Berro BERNARDO BERRO

Ator, Cantor, Diretor, Dublador, Professor e Produtor Teatral formado em Artes Cênicas pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Especializado em Dublagem e Locução pela Central Dubrasil de Dublagem.

Como ator trabalhou em mais de trinta espetáculos teatrais destacando-se seus últimos trabalhos como ator e cantor, em teatro musical: “Canção dos Direitos da Criança” em 2015, sob direção de Carla Candiotto; “O Musical Mamonas”, 2016 e 2017, sob direção de José Possi Neto, pelo qual recebeu o 5º Prêmio Botequim Cultural do Rio de Janeiro, como Melhor Ator Coadjuvante; “Peter Pan – O Musical da Broadway”, Direção de José Possi Neto; “ANNIE – O musical”, Direção de Miguel Falabella; “APARECIDA – Um musical”, Direção de Fernanda Chamma; e seu mais recente trabalho “Escola do Rock”, Direção de Mariano Detry.

Na função de Diretor já trabalhou em mais de vinte obras teatrais, sendo elas amadoras e profissionais, destacando-se as obras: “A Megera Domada” e “Sonho de Uma noite de Verão”, de William Shakespeare, nos anos de 2007 e 2008, respectivamente; “Q”, criação própria, em 2010; “O Urso”, de Anton Tchekov, em 2011; “A Gaivota”, de Anton Tchekov, em 2012; “O Inspetor Geral”, de Nicolai Gogol, em 2014; “Aos Domingos”, de Adriano Tunes, em 2017, que esteve em cartaz no Teatro Sergio Cardoso em São Paulo e retornará aos palcos em 2021; “Ponto de Partida” de Gianfrancesco Guarnieri, em 2018; “Mamma Mia? Que Absurdo!”, em 2018; “Fora de Mim”, texto autoral, em 2019; “Meu Amigo Charlie Brown”, original da Broadway, em 2019; “Gota D’agua”, de Chico Buarque, em 2019; direção e texto original de “Cade A Criança que Tava Aqui?” em 2019, volta em cartaz em 2021; e atualmente dirige uma remontagem de "A Formiga Encrenqueira", em São Paulo, com estréia prevista para Março de 2021.