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Desvendando os segredos de Cabaret at the Kit Kat Club



É inegável que o atual revival de Cabaret da West End se tornou uma sensação entre os fãs de teatro musical. Muito por conta de uma proposta e direção totalmente inéditas, mas muito, também, por conta de um marketing inovador que esconde todos os segredos do Kit Kat Club, e, em meio um mundo digital, onde bootlegs se espalham com a maior facilidade, ele consegue manter a exclusividade de estar na sala onde tudo acontece. O Backstage Musical teve a oportunidade de assistir a montagem, e conta tudo o que está por trás de seus segredos.


O tão bem famoso revival de Cabaret estreou em 2021 no Playhouse Theatre, em Londres, renomeado como Kit Kat Club para receber o espetáculo. A produção chamou a atenção de cara pelos casal de atores que seriam os protagonistas, Jessie Buckley faria Sally e Eddie Redmayne seria responsável por dar vida ao Emcee. Naquele momento, não existia o mínimo vídeo ou áudio, oficial ou bootleg, apenas meia dúzia de fotos rodando a internet, e uma quantidade absurda de fãs e críticos elogiando loucamente essa produção.


O tempo passou, e a montagem já está no seu terceiro ano, e na quinta dupla de protagonistas, desde então, surgiram no máximo três ou quatro gravações oficiais de cenas do espetáculo, apresentadas em programas de TV ou premiações. A mais famosa delas foi a do Olivier Awards, quando Amy Lennox, a segunda Sally, chocou a todos com uma das performances mais sensacionais já vistas da música título. Foi o suficiente para todos os olhares de fãs de musicais se virarem para essa produção.



É lógico que, como todo fã de musical com longa temporada sabe, existe elencos e elencos, não tem como manter um espetáculo o tempo todo com elencos fenomenais, ainda mais quando buscam o tempo todo famosos para os protagonistas, e em uma quinta dupla de protagonistas, existe muita possibilidade de ter alguém que não é tão bom assim. Mas é claro, como as críticas iniciais foram absurdamente boas, e os números apresentados sempre foram minuciosamente selecionados, eles conseguiram gerar esse mito do Cabaret como uma das maiores obras de arte do Teatro Musical da atualidade.


E esse mito é alimentado a cada momento da visita ao Kit Kat Club, o mistério trazido pela produção vem mesmo desde a fachada do teatro, que esconde o nome do espetáculo, e no lugar você vê apenas um símbolo de dois Ks e um C, formando olho, símbolo que se repete em cada detalhe dentro do ambiente, desde lustres, marcas no palco, em cortinas. Tudo para criar a identidade e simbolismo desse clube secreto que você acabou de entrar.


A entrada é pelas portas do fundo do teatro, e para chegar no hall de entrada a gente passa por corredores dos bastidores, dando ainda mais o ar de mistério. De cara, a primeira pessoa que nos atende já pede nosso celular para colar um adesivo na frente da câmera, para que não grave absolutamente nada do que tem lá dentro. Entrado mais a fundo, somos recebidos um shot gratuito (não me pergunte de qual bebida), e o pré-show começa no próprio Golden Bar, onde figuras exóticas tocam instrumentos e dançam, já preparando o público para o ambiente do cabaré. Aos poucos o pré-show é transferido para a sala de espetáculo, onde o musical vai acontecer.


Logo que o espetáculo começa, somos introduzidos a essa figura hipnotizante do Emcee, interpretado atualmente por Mason Alexander Park, que inicia o espetáculo dizendo que não há problemas naquele lugar, ali a vida é linda. Uma falácia que aos poucos a plateia vai percebendo, enquanto o espetáculo se torna cada vez mais sombrio.



A trama segue a jornada de Sally Bowles, uma artista de cabaré, que após ser demitida do Kit Kat Club, vai buscar abrigo na casa de Cliff, um escritor norte-americano recém chegado em Berlim, que se muda para lá em busca de inspiração para um novo romance, e ao chegar se apaixona por Sally. O espetáculo traz o início da ascensão do nazismo, e como os personagens lidam com isso, suas preocupações e as consequências de sua ignorância.


A figura central do espetáculo, e dona de alguns dos solos mais icônicos do Teatro Musical, Sally Bowles, é interpretada atualmente por Maude Apatow, que apesar de sua maravilhosa voz, peca na falta de maturidade cênica, interpretando uma Sally unidimensional, e perdendo toda a complexidade necessária da personagem. E quem vai assistir com alta expectativa, já conhecendo as performances das antecessoras, acaba se frustrando um pouco, por receber uma Sally que não é aquilo que espera.



Em contraponto, Mason brilha a cada momento que pisa no palco, intrigando com essa figura misteriosa que é o Emcee, e deixando o público sempre querendo mais. Seus solos são sem duvidas os pontos altos do espetáculo, transitando entre o drama e a comédia com a maior facilidade. O ensemble como um todo acaba tendo bastante destaque, trazendo a magia do cabaré em cada uma daquelas figuras únicas.


A direção no geral acerta muito ao dar vida a esse universo que é ao mesmo tempo grotesco e decadente, mas tem uma certa beleza e charme. Muito disso é por conta das coreografias, que trazem uma linguagem bem própria para o espetáculo, e auxiliam com primor na construção das personagens. Apesar de ser vendida como uma montagem imersiva, os elementos que trazem esse aspecto estão mais contidos ao pré-show e tudo que antecede o espetáculo. Durante o musical, esses elementos se perdem um pouco, e a performance acaba ficando contida mais ao palco de arena.


Uma coisa que particularmente me surpreendeu foi a quantidade de gente que estava assistindo ali Cabaret pela primeira vez, sem conhecer o material original, e reagindo com risadas à piadas já tão conhecidas. O que é sempre bom ver gente nova, que não tinha contato, conhecendo esse clássico do teatro musical.


Cabaret é um espetáculo forte que sempre merece ser visto, ainda mais numa produção tão acertava. Mas se você já é fã do material, a diva que fica é regular as expectativas, nem toda Sally ou todo Emcee vai ser tão sensacional quanto a Jessie Buckley ou o Eddie Redmayne.



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