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Entrevista com Lui Vizotto


O ator, cantor e preparador vocal Lui Vizotto faz parte do elenco da nova série do canal Comedy Central "Auto Posto" que estreou no último dia 09 de junho. Lui vive Wesley, "Wesley é um atendente muito simpático, gay, multitalentoso, frequenta a igreja, e carrega com ele sempre algum símbolo ligado à sua fé, canta música gospel e relata vários acontecimentos do posto nos seus stories, já que é instagramer também", conta Lui.

A série, criada e dirigida por Marcelo Botta e produzida por Gabriel Di Giacomo, e a série apresenta o o dia-a-dia de um posto de gasolina, gira em torno de Nelson (Walter Breda), dono do posto, e de sua relação com os funcionários do Auto Posto Amigos do Nelson, numa comédia com linguagem próxima a de um documentário. O elenco da série conta ainda com Neusa Borges, Paulo Tiefenthaler, Robson Nunes, Micheli Machado, e também participações de Rita Cadillac e Rappin' Hood.

Conversamos com o Lui para saber mais sobre ele e Wesley, de "Auto Posto":

Conta pra gente um pouco da sua trajetória artística.

Eu comecei cantando aos 8 anos de idade, aos 10 venci um concurso na minha cidade que se chamava "A mais bela voz infantil de Franca". Fiz muitos shows na época, tive uma banda que fazia vários eventos no interior também. Quando entrei na adolescência, e na consequente fase de mudança de voz, parei de cantar por um tempo e descobri o teatro. Me mudei pra São Paulo aos 17 anos para estudar Artes Cênicas na USP e na Escola de Arte Dramática, depois fui estudar canto popular na EMESP - Tom Jobim.

Por conta disso, acabei me tornando preparador vocal também, em muitos trabalhos fazendo esta dobradinha como ator e preparador vocal no mesmo projeto, por exemplo em "Repertório Shakespeare - Macbeth e Medida Por Medida"(2015/16), com direção de Ron Daniels; "Cobra na Geladeira"(2018), direção de Marco Antônio Pâmio; "Zucco" (2013/14), direção de José Fernando de Azevedo, entre vários outros.

E como ator fiz outros tantos, o mais recente foi meu primeiro musical "O Mágico di Ó" (2019), de Vitor Rocha, que gravamos também o filme, com direção do Pedro Vasconcelos, e que está em fase de pós-produção.

Atualmente sou professor de Expressão Vocal da Escola de Atores Wolf Maya também.

Você pode falar um pouco de quem é Wesley? E sobre a série?

A série conta a história da rotina de um típico posto de gasolina em uma cidade brasileira. O enredo é desenvolvido através da relação conturbada entre Nelson, o dono do posto, e os funcionários do Auto Posto Amigos do Nelson. Cada um dos personagens representa um arquétipo contemporâneo. O Wesley é um blogueiro que trabalha como atendente da conveniência do posto, ele tem vários talentos, muita fé e seu sonho é poder viver só de permutas do instagram. (risos)

Como foi o processo de criação desse personagem?

Foi um processo de muita observação. O Wesley tem uma personalidade muito complexa. É religioso, frequentador da igreja e gay; é super alegre, cheio de vida, e apaixonado por arte sombria, maquiagem gótica. Ele é uma criatura divertida, paradoxal, e isso o deixa muito interessante. Acompanhar vários 'instagramers' também foi importante pra aprender um pouco do timing das redes sociais.

O seu personagem possui um perfil no Instagram que permite interação fora das telas. Como vai funcionar essa dinâmica?

A série tem muitos materiais que foram produzidos com os celulares das personagens, e alguns deles terão perfis no instagram. Dois exemplos são o instagram do Nelson, que é o @autopostoamigosdonelson, e o da minha personagem que é o @wesley_artedark. Os perfis funcionam mais como cartões de visita, onde o público pode rever trechos da série pelo ponto de vista daquele determinado personagem. Existem alguns conteúdos extras que estarão por lá também, mas não sou eu quem controlo a página, sou só mais um dos "seguipodres" do Wesley. (risos)

Você pode comentar um pouco da diferença entre atuar em teatro e agora para televisão?

Pra mim, enquanto ator, a grande diferença das duas linguagens está na forma fragmentada que se grava pra televisão. Tudo é gravado fora da ordem, porque quem monta o plano de filmagem precisa levar em consideração vários fatores. Então pode ser que gravemos cenas do primeiro e do último episódio na mesma diária. Enquanto no teatro desenvolvemos uma trajetória contínua do início ao fim do espetáculo, no cinema e na TV é preciso estar ligado em tudo que já aconteceu com a personagem antes daquela cena que você está prestes a gravar, pra que na montagem final a trajetória da personagem faça sentido.

Além de Auto Posto, você também participa da versão cinematográfica de ‘O Mágico di Ó’, interpretando o Cabra-de-Lata. O que podemos esperar desse filme?

Acho que podemos esperar ver materializado na telona tudo que enxergamos com a imaginação ao assistir o espetáculo. Fazer "O Mágico di Ó" em pleno sertão da Paraíba foi um sonho jamais imaginado. Compartilhamos uma vivência que só tínhamos entrado em contato através de pesquisas para a montagem do espetáculo. Também estou curioso pra ver o resultado final, vimos alguns pequenos trechos e está demais, acho que podemos esperar um filme lindo, com essa história cheia de esperança que alguns de vocês já conhecem.

Por que todo mundo deve assistir Auto Posto?

A série está muito engraçada e o Auto Posto Amigos do Nelson é um retrato do Brasil. Como disse o criador da série, Marcelo Botta, é "um lugar meio sem-rumo, cheio de conflitos e acontecimentos que beiram o surreal". Cada personagem tem uma forma muito particular de lidar com as adversidades do posto e o público certamente vai se identificar com muitos deles.

Neste momento de pandemia, como você vê a arte no nosso país?

Vejo a arte como instrumento indispensável neste momento. Também para manter nossa sanidade mental, mas principalmente para contribuir com a reflexão e construção de uma nova forma de sociedade. Tem muitos artistas aproveitando este momento para gerar novas possibilidades de pesquisa e até mesmo estéticas, vejo tudo isso com muita alegria, é a prova de que é possível pulsar vida em meio a toda esta tragédia. Mas vejo também com muita apreensão os rumos que serão tomados em relação aos teatros, às salas de espetáculos. Estamos há um mês sem Ministro da Saúde, não temos ninguém na Secretaria de Cultura, estamos num desgoverno completo que a cada dia ameaça nossas liberdades democráticas. É um pesadelo, impossível ser otimista neste sentido.

Como disseram Caetano e Gil: "É preciso estar atento e forte".

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