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Entrevista: Pedro Arrais fala sobre nova temporada de Cangaceiras


Foto: Caio Gallucci

Após dar vida ao personagem icônico Senhor Madruga, na segunda temporada de "Chaves - Um Tributo Musical", o ator Pedro Arrais se prepara para a volta do espetáculo "As Cangaceiras, Guerreiras do Sertão", que reestreia em abril. Em 2019 seu trabalho na peça rendeu para ele o Prêmio Bibi Ferreira de Melhor Ator Coadjuvante em Musical. Confira a entrevista que o Backstage Musical preparou:

1. Como a arte passou a fazer parte da sua vida? Conta pra gente um pouquinho da sua história.

Comecei muito cedo. Desde pequeno já gostava de cantar, dançar e contar piadas em festas de família. Com 11 anos entrei pro teatro e com 13 comecei a estudar canto e piano. Daí não parei mais. Tive duas bandas em Goiânia. Gravei um disco. Cursei Artes Cênicas pela Universidade Federal de Goiás e depois me mudei pro Rio de Janeiro pra concluir minha formação pela CAL - Casa das Artes de Laranjeiras.


2. Você já tem em seu currículo vários trabalhos no teatro musical, tem algum que considere mais marcante ou mais especial?

Tenho vários trabalhos marcantes. Cada um com sua particularidade. Teve o primeiro grande musical que fiz no Rio, As Mimosas da Praça Tiradentes, que foi muito especial. O Mágico de Oz também foi meu primeiro grande trabalho que veio pra São Paulo. Rock in Rio Lisboa, foi marcante por interpretar Freddie Mercury e cantar pra 90 mil pessoas no Palco Mundo, em Lisboa. E o Cangaceiras com certeza o mais marcante, primeiro pela oportunidade que tive de fazer um personagem grande e cômico em um musical, e segundo por ser reconhecido por esse trabalho, levando pra casa o Prêmio Bibi Ferreira 2019 de melhor ator coadjuvante em Musicais.


3. Recentemente você integrou o elenco de "Chaves - Um Tributo Musical", no papel do icônico Senhor Madruga. Como foi a experiência de fazer parte desse projeto?

Foi uma experiência sensacional. Primeiro, foi um susto, pois eu estava de Férias em Florianópolis quando me ligaram me fazendo esse convite. Tive de voltar uma semana antes do previsto e o maior desafio de todos ainda estava por vir: tive que estudar sozinho pois eu só tive um ensaio no dia da minha estreia. Foi um desafio muito grande pois, o Seu Madruga, é uma referência muito forte para o público que acompanha e é fã de Chaves. Comecei decorando o texto em casa, depois levantei da cadeira e comecei a procurar um corpo que fosse próximo do ator. O mais difícil de tudo foi achar uma voz parecida ou que se aproximasse da voz do dublador do SBT, que é a maior referência para o público brasileiro. Foi uma experiência enriquecedora e fui muito feliz nesses dois meses dando vida a esse personagem tão icônico.


4. Em 2019 você foi indicado ao Prêmio Bibi Ferreira e levou o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante, por seu trabalho no musical "Cangaceiras". Conte um pouco sobre esse trabalho e sobre como se sentiu com a premiação.

As Cangaceiras é uma jóia rara. Começando pelo texto incrível de Newton Moreno, completamente brasileiro, feminista e político, mas tudo com um refinamento de palavras único. Foi uma das minhas melhores audições da vida, pois eu queria muito sair um pouco do universo Broadway e fazer algo nacional. Agarrei esse personagem com unhas e dentes e ali eu faria um dos melhores trabalhos da minha vida até então. O prêmio foi um reconhecimento de muitos anos de estudos, audições, desafios, lágrimas, nãos e mais nãos. Fiquei muito surpreso, pois estava concorrendo com atores incríveis e muito talentosos. Mas acho que aquele era o meu momento. Fiquei muito feliz com esse reconhecimento, e por causa desse prêmio, por incrível que pareça, as pessoas do mercado hoje me olham com outros olhos. Acho que acreditam mais em mim e no meu potencial.

Foto: Náira Messa


5. Em abril "Cangaceiras" volta a ficar em cartaz em São Paulo, qual a expectativa para a nova temporada?

A expectativa é a melhor possível. Um espetáculo como As Cangaceiras não pode parar tão cedo. Tem que rodar o Brasil. Ainda mais devido a atual situação política trágica que estamos vivendo. Temos uma temporada de dois meses em São Paulo, podendo prorrogar, dependendo do sucesso de público e teremos umas viagens a partir de Julho. To com sorriso de orelha a orelha.

6. Você já traz em seu currículo grandes trabalhos no teatro musical, o que "Cangaceiras" trouxe de novo para a sua carreira?

As Cangaceiras trouxe minha essência. O Nordeste. Minha mãe é Nordestina. Meu sobrenome veio do Nordeste. Arrais. Me trouxe novos desafios, como a comédia, que há tempos eu não fazia mais e o sotaque Pernambucano, que eu amo e tive o maior cuidado de estudar para fazer direito, sem ser caricato e sem ofender o povo nordestino.



7. Por que todos devem assistir "Cangaceiras"?

Assistam Cangaceiras, pois é um espetáculo 100% autoral e Brasileiro. Porque fala de agora, porque dá voz as mulheres que foram caladas durante séculos e porque é lindo demais. Assistam e depois me falem o porque todos devem assistir Cangaceiras.


"As Cangaceiras, Guerreiras do Sertão" volta a ficar em cartaz a partir de 04 de abril, no Teatro Tuca, em São Paulo, com sessões sextas e sábados às 21h00 e domingos às 19h00. Os ingressos já podem ser adquiridos através do site Sympla. O musical, que estreou em 2019 no Teatro do Sesi-SP, é uma fábula inspirada nas mulheres que seguiam os bandos nordestinos, que atuavam contra a desigualdade social da região. A trama narra a história de um grupo de mulheres que se rebelam contra mecanismos de opressão que encontravam dentro do próprio Cangaço, e encontram, umas nas outras, a força para seguir. Além de reflexões sobre o conceito de justiça social que o Cangaço representava, o espetáculo também reflete sobre as forças do feminino nesse espaço de libertação e sobre a ideia de cidadania e heroísmo.

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