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Entrevista com Rodrigo Alfer


Rodrigo Alfer é ator, cantor, escritor e produtor. Graduado em Artes Cênicas pela Faculdade Paulista de Arte, formado em Direção Teatral pela SP Escola de Teatro, comanda a Cia de Gente Bacana que surgiu em 2014 e em breve estreará o espetáculo "Caso Entendido". Na entrevista a seguir, ele nos conta sobre a companhia e sobre o novo espetáculo!

Como a Cia surgiu? Rodrigo: Surgiu do impeto de querer fazer. De produzir. De correr atrás mesmo. E de poder escolher sobre o que dizer. Sempre procuro trabalhar com artistas inteligentes e antenados com o mundo, que tenham um algo a mais. Então, procuro reunir atores e equipe criativa, que partilhem dessas vontades. E essas pessoas, por diversas afinidades e pensamentos, sempre se juntam. Quando vibramos na mesma energia, as coisas fluem com mais facilidade. Posso dizer que é uma reunião de gente bacana. O que podemos esperar de "Caso Entendido"? Rodrigo: Não se trata de um 'Musical Show', sem dramaturgia. Existe um conflito com começo, meio e fim. As músicas ajudam a contar a história. "Caso Entendido" é um musical leve, cheio de esperança e que toque a alma do espectador. A gente espera por isso...

O que te inspirou a escolher esse tema, a década e as músicas? Rodrigo: "Sobreviver", essa é a palavra norte do musical. Sobreviver a uma ditadura (no campo físico, intelectual e moral). Sobreviver a AIDS, numa época em que as pessoas morriam sem nenhum tipo de tratamento eficaz. E sobreviver a um amor avassalador - Sim, quem nunca quase morreu por amor? Nesse sentido, quando olhamos pra trás, e vemos o quão era complicado ser gay naquela época (será que mudou muito?). Incertezas nos rondam, e como artista e essa é minha arma, não consigo ser atravessado por um eminente retrocesso e ficar de braços cruzados, é preciso sair das redes sociais de fato. Sobre as músicas, acho que é um ótimo momento para garimparmos joias de nossa MPB. Antes do furacão Pabllo Vittar chegar, muita gente gravou coisas interessantíssimas. Descobri uma gravação com conotação gay de 1903, e isso é incrível. Acreditem, os gays sempre existiram (risos). É preciso exaltar esses artistas que tanto fizeram pela comunidade LGBTQI+. Maysa por exemplo, foi a Madonna de sua época. Mas o mais bacana da pesquisa, é encontrar pérolas de artistas como Wando, Martinho da Vila e Noel Rosa, que produziram músicas lindas com essa temática. Os jovens precisam descobri-las e os mais velhos revisitá-las. Quais as semelhanças e diferenças de "Caso Entendido" e o "Príncipe DesEncantado"? Rodrigo: A maior semelhança é o fato de ser uma história homoafetiva em um musical brasileiríssimo. Outra semelhança é a leveza, o natural e ser apenas uma história como tantas outras. "O Príncipe DesEncantado" era assim. A maior diferença é que a idade subiu um pouquinho. Agora, é para os "mais crescidinhos" e as músicas não são autorias. São da nossa MPB. Porque todos precisam conhecer esse texto? Rodrigo: Acho que precisamos nos unir ainda mais. Precisamos fortalecer a cultura gay. Não abaixar a cabeça. Conhecer nosso passado para fortalecer o futuro. O que até hoje foi conquistado, não pode ser apagado. Outro fator importante é por ser um musical brasileiro. Não digo que é melhor ou pior, mas não é menor. Já passamos dessa fase. Rent, Priscila a Rainha do Deserto, Kimky Boots, e a Gaiola das Loucas são exemplo de musicais 'blockbusters' com temática assumidamente gay, e que deram muito certo, fora os Off-Broadways. Produtores, estamos aqui!

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