Entrevista com o Fantasma da Ópera: Leonardo Neiva

1/11/2018

 Conhecido por sua carreira na Ópera, Leonardo Neiva é mais uma estrela do Teatro Musical que é de Brasília, com muitas óperas no currículo, hoje ele nos encanta como o Fantasma em "O Fantasma da Ópera". 


Léo, você tem muitos anos no mercado do Teatro Musical, como você decidiu entrar para ele? 

Bom, eu comecei muito cedo... comecei a cantar como solista aos 6 anos de idade na Igreja Batista. Depois disso, segui carreira como cantor gospel, gravei dois discos o primeiro com 17 anos e o segundo com 21 anos, inclusive fiz abertura do do show do "Take 6".

Aos 14 anos, comecei a estudar canto lírico, e me apaixonei por essa arte mas sentia que faltava algo... faltava eu amadurecer e crescer como ator, até mesmo porque o que se ensina de atuação em Opera Studio está muito aquém do que se precisa para ser um verdadeiro ator,  toda prática é muito voltada para uma atuação estereotipada. Nunca gostei dessa atuação engessada, eu sempre procurei fazer diferente pois não adianta só ter voz. Eu costumo dizer que o boi tem uma ressonância linda (rs), mas do que adianta ter voz se você não comunica nada? Não passa emoção?

Por conta disso, eu fui buscar o teatro musical e aprendi muito (e continuo a aprender) a atuar de maneira natural para que o público  se identifique e se emocione. Afinal, esse o é objetivo de qualquer ator.

 

Esse ano você está interpretando um dos maiores personagens do teatro musical, como é a sensação de fazer este papel tão icônico?

É de extrema responsabilidade, pois se trata do personagem mais querido do teatro musical no mundo, mas além disso, o Fantasma carrega em si toda a complexidade do ser humano com a sua luz e sombra.

 

Em tantos anos, qual o seu maior desafio nos palcos?

Um dos maiores desafios foi estrear Les Miserables no México, ainda jovem, sem falar nada de espanhol, tendo que aprender em menos de dois meses e sem sotaque. 

 

Além do Teatro Musical, você está há muitos anos na ópera, também. Quais as maiores diferenças e semelhanças entre os dois mercados?

É bastante diferente, na ópera geralmente os ensaios e as apresentações são realizados num  curto período de tempo e com poucas récitas , você geralmente estreia uma ópera a cada dois meses quando você tem uma agenda fechada durante o ano inteiro. Além disso, você faz um mesmo título com diferentes concepções, equipes, diretores; o que exige de você uma maior habilidade de improviso e de estar aberto à novas ideias como também, à construções diferentes daquele mesmo personagem. Já no musical, quase sempre você tem que seguir uma direção que já funcionou no mundo todo e você tem que se adequar aquilo, adequar o seu corpo e a sua atuação àquela forma pré estabelecida... Às vezes, a criação fica um pouco limitada e para sair dessa limitação, eu procuro preencher com meu toque pessoal de interpretação encima daquela estrutura pré concebida. 

Outra coisa diferente é o fato de que no musical você faz apresentações seguidas e dentro de uma temporada podendo passar de 700 apresentações. O desafio do musical é manter a constância e a qualidade do mesmo.

 

Qual a sua dica para quem quer entrar no Teatro Musical?

Estudo, dedicação, saber receber mais não que sim. Estar preparado  para as críticas  e as instabilidades da carreira.

 

Depois do Fantasma, tem algum outro personagem ou musical que você ainda sonha em fazer?

Não paro para pensar nisso, prefiro curtir cada personagem que tenho oportunidade de interpretar e tirar o máximo dele e do momento. 

 

 

 

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