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Prezado amigo, Gil (eu continuo aqui mesmo!)



Em São Paulo, oito atores entraram em cena em “Gilberto Gil, Aquele Abraço – O Musical”, no Teatro Procópio Ferreira. O musical, não biográfico, é uma homenagem aos 50 anos de carreira de Gil, e reúne 55 canções em grandes medleys das mais variadas épocas cinco décadas de composição do artista. O texto e a direção ficam à cargo do carioca Gustavo Gasparani, que, paralelo a uma carreira sólida na Cia. dos Atores, buscou seu lugar nos musicais com “Clara Nunes – Brasil Mestiço”; “Otelo da Mangueira”; "A Flor e o Samba”; o recente "SamBRA - 100 Anos de Samba" dentre outros, agora atinge uma maturidade criativa com “Gilberto Gil, Aquele Abraço”. Quem espera um musical convencional se surpreende, a começar pelo texto. Sem contar os trechos de 55 músicas que a trupe canta, o texto é composto por letras de canções de Gil faladas, recitadas e interpretadas, ou ainda, aparecem como poesia. O musical é dividido em 12 sessões (medleys): Cada uma das sessões tem um tema: Em "O Compositor me disse", mostra o lado compositor de Gil; "Impressões à beira do cais" fala sobre a musicalidade baiana; "E o mar virou sertão...", sobre a influência do sertão; "Os anos de chumbo" trata da tropicália: "A paz invadiu o meu coração..." apresenta o pot-pourri mais romântico do espetáculo, e assim seguem outros blocos como "Negritude e fé – a refavela"; "Negritude e fé – o canto dos orixás"; "A raça humana – dois mil e Gil: uma odisseia no espaço"; "O poeta, a canção e o tempo"; "Refestança – Gil de todos os tempos"; "A lata do poeta – metáfora", e, por fim, "Agradecimento – viva São João". No elenco, oito atores-cantores-bailarinos-instrumentistas que são por si só, um espetáculo à parte. São eles: Alan Rocha, Cristiano Gualda, Gabriel Manita, Daniel Carneiro, Jonas Hammar, Luiz Nicolau, Rodrigo Lima e Pedro Lima, guiados pela direção musical e arranjos de Nando Duarte. Ao lado dele, as coreografias e a direção de movimento de Renato Vieira vêm extrair o melhor do elenco, que se revezam em diversos instrumentos durante as quase duas horas de espetáculo. Contribuindo, ainda, com os cenários de Helio Eichbauer, um videografismo muito agradável, assinado por Thiago Stauffer, trabalhando de mãos dadas com a luz de Paulo Cesar Medeiros. É interessante ver o trabalho da direção, que consegue captar e reproduzir cada momento histórico vivido e compartilhado quase que em catarse com a plateia, nesses doze medleys. O musical revive a transgressão da tropicália, o amor livre, com direito a beijo gay e, até, um ator nu, remetendo à crucificação de cristo, enquanto canta “Se eu quiser falar com Deus”. O grande momento do espetáculo é quando a própria plateia percebe que algumas músicas, compostas nos anos 60 e 70, têm correlação absoluta com os dias de confusão política. Se por um lado, a plateia parece começar fria, estranhando aquele formato, por vezes, que relembra um cordel, num determinado momento, depois do desfile de canções que marcaram gerações, é impossível ficar quieto na poltrona sem vibrar, cantar junto e querer, no mínimo, se juntar ao elenco numa grande festa. É um musical quase que obrigatório pra quem quer fugir dos clichês dos enlatados. Um musical nacional, que fala da cultura brasileira, do semiófaro nacional. Diria Gilberto Gil, em sua música "Meio de Campo", que “a perfeição é uma meta”. Sempre me perguntei se era "meta" que ele queria dizer, ou se foi uma forma de driblar a censura que não aprovaria um palavrão. De qualquer forma, o musical que prevê uma homenagem aos 50 anos de carreira de Gil atingiu a meta. Ficha técnica: Dramaturgia e Direção Geral: Gustavo Gasparani Produção Geral: Sandro Chaim Direção Musical e Arranjos: Nando Duarte Direção de movimento e coreografia: Renato Vieira Cenografia: Helio Eichbauer Figurino: Marcelo Olinto Iluminação: Paulo Cesasr Medeiros Videografismo: Thiago Stauffer Elenco: Alan Rocha, Cristiano Gualda, Gabriel Manita, Daniel Carneiro, Jonas Hammar, Luiz Nicolau, Rodrigo Lima, Pedro Lima SERVIÇO:

Até 29 de maio Quinta e Sexta às 21h; Sábado às 18h e 21h30; Domingo às 18h Teatro Procópio Ferreira (Rua Augusta, 2823 - Cerqueira Cesar)

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