Palmas, para que te quero!

2/3/2016

No fim de cada apresentação em peças e shows é muito comum que a plateia se levante e aplauda os artistas de pé. Mas, de onde veio o hábito de aplaudir? O Backstage Musical conta tudo pra você!

O verbo aplaudir deriva do latim Applaudere, formado por AD + PLAUDERE, que significa “bater as palmas das mãos”. O radical latino gerou outras palavras com esse mesmo significado, em outras línguas, como no inglês (applaud), espanhol (aplaudir), francês (applaudir), alemão (applaudieren). Em outras línguas, aplauso vem com um significado onomatopaico, como é o caso do dinamarquês, em que ‘klappe’, simboliza o som realizado pelas palmas das mãos.

Acredita-se que o aplauso tenha surgido ainda na Idade da Pedra. Nessa época, os nossos ancestrais não tinham conhecimento da fala como temos hoje em dia. Por isso, uma forma de comemorar uma boa caçada, era batendo a cabeça na parede da caverna ou mesmo no chão. Com o tempo, descobriram que seria mais interessante – e menos doloroso – bater uma pedra na outra, provocando estalos e um som específico que mostrava a alegria daquele momento.

Cerca de 3 milhões de anos depois dos ancestrais da caverna, tribos pagãs usavam as palmas das mãos para chamar a atenção de deuses em rituais. Séculos depois, na Grécia Antiga, o hábito de bater palmas depois das apresentações teatrais virou uma prática. Isso porque os antigos gregos acreditavam que homens e deuses conviviam juntos. Quando consideravam alguma coisa digna de ser vista pelos deuses, eles batiam palmas para chamar a atenção desses deuses. Era como se o aplauso fosse uma forma de chamar os deuses para se atentarem a coisas divinas. Dessa forma, os gregos começaram a bater palmas também antes das apresentações como forma de invocar espíritos e deuses para proteger as artes.

Por outro lado, uma versão nada romântica, mostra que os antigos Romanos adoravam assistir às batalhas de gladiadores. Em casos de empate entre dois competidores, a regra dizia que eles deveriam chocar um a cabeça na cabeça do outro. O último a desmaiar ganhava. Quando havia um empate, a plateia ia à loucura e batia as palmas das mãos, fazendo uma referência ao choque das cabeças que os gladiadores viriam a fazer.


No século VI a.C. o político grego Clístenes, conhecido como o pai da democracia de Atenas, na reforma à Constituição, que realizou em 508 a.C., instituiu que o aplauso era um dever cívico, ou seja, uma forma de saudar os líderes em uma única voz. Esse ato foi levado também para Roma e virou sinônimo de aprovação a autoridades, quando apareciam publicamente. No caso de Roma, vários tipos de aplausos mostravam os graus de aprovação, como, por exemplo, bater os dedos ao invés de palmas, bater as palmas com as mãos planas, bater as palmas com as mãos arredondadas (fazendo um tipo de concha com as mãos) e agitar lenços. No final de boa parte de peças clássicas romanas e latinas, o protagonista dizia “Valete et plaudite”, que significava “até logo e aplaudam”, uma forma nada educada de incitar a plateia a aplaudir os artistas.

Os aplausos foram levados à igreja católica com o crescimento do cristianismo. Eusébio de CesreIa, bispo de Cesareia, nos anos de 300 d.C., conta em escritos deixados que, Pablo de Samosata, bispo de Antioquia entre 260 e 268 d.C., animava a congregação da época com seus sermões e instigava a todos baterem palmas. Com isso, entre os séculos IV e V, era obrigatório aplaudir o fim do sermão nas igrejas. Já no século XVIII, na França, nas grandes casas de ópera e teatros, criaram as conhecidas ‘claques’, um grupo de pessoas previamente contratadas pra acentuar as emoções dos espectadores. Eles choravam, riam, gargalhavam e batiam palmas em momentos combinados, como forma de causar uma reação grupal no público.

Segundo especialistas, em um momento de admiração, como, por exemplo, no fim de um espetáculo, um indivíduo adulto é capaz de produzir de 2,5 a 5 palmas por segundo, o que gera um som entre 2200Hz a 2800Hz de frequência. O recorde de aplausos mais duradouros, segundo o Guinness Book, vai para a banda alemã Grabowsky, que durante um show, em 2002, recebeu aplausos incessantes de nada menos do que uma hora e meia (haja palma de mãos para aguentar aplaudir sem parar durante uma hora e meia!). Também no Guinness, a maior quantidade de aplausos por segundo fica com o norte-americano Kent French, que bate 14 palmas por segundo (Lembrem-se: um indivíduo adulto consegue bater até 5 palmas por segundo!). Ele é responsável pelo recorde de 721 palmas em um minuto. 

Atualmente, os aplausos são proibidos em diversas ocasiões no mundo. Por exemplo, aplaudir uma apresentação clássica é uma violação grave da etiqueta de bons modos. Em Berlim, alguns possuem uma placa avisando que é proibido aplaudir os artistas entre movimentos de uma obra, no fim de uma canção num show, ou aplaudir discriminadamente uma peça. Felizmente, por aqui no Brasil os aplausos são permitidos nos teatros, igrejas, casas de espetáculos e funcionam como um termômetro do quanto a plateia está se agradando do que está sendo apresentado.

Outra palavra bastante conhecida no teatro é quando os aplausos são tão fortes que são considerados uma ‘ovação’. Essa euforia vem do grego Evoé, um grito de evocação a Dionísio (Baco, para os romanos) que demonstrava felicidade e exaltação. Nessa lógica, se tornou comum a expressão standing ovation nos EUA, que nada mais é do que uma série de aplausos em pé em prestígio a determinado espetáculo, acontecendo, em alguns casos antes mesmo do fim do espetáculo, como foi o caso recente do musical “Something Rotten!” que foi levou a plateia ao êxtase com o número ‘A Musical’, rendendo muitos aplausos ao talentoso elenco.


Nada mais educado do que demonstrar que você gostou de um espetáculo prestigiando os artistas, seja com palmas, aplausos ou uma boa ovação, de preferência no fim de um número e no fim da peça (para não atrapalhar o andamento da obra). Então, já sabe: Quando for assistir a alguma peça, cantar “Parabéns à Você” ou mesmo aplaudir o pôr-do-sol, com certeza, você vai se lembrar do Backstage Musical! Palmas para nós! Evoé!

 

 

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