LOGO_Backstage_Musical_NOVO2020_Crachá.

10 Revivals de Musicais que gostaríamos de ver nos palcos brasileiros.

O ano de 2016 certamente será marcado pela estreia de grandes produções no eixo Rio-SP. Só no primeiro semestre em São Paulo, são esperados os musicais: ‘Cinderella’; ‘Gabriela’; ‘O Palhaço e a Bailarina’; ‘We Will Rock You’ e ‘Wicked’, além da nova temporada de ‘Urinal’. No entanto, além de grandes estreias, o ano será marcado pelo retorno de alguns espetáculos aos palcos brasileiros: Adotando uma nomenclatura mais ‘Broadway’, teremos um ano cheio de revivals.

Para aqueles que desconhecem o termo, são chamados de revivals as remontagens de determinadas peças e musicais na Broadway. Aqui no Brasil aos poucos, esse tipo de produção tem ganhado espaço. Em 2010, a Möeller & Botelho trouxe aos palcos do Rio e SP ‘Hair’, musical que foi primeiramente montado no Brasil 1969. A dupla ainda montou em 2013 no Rio de Janeiro ‘Como Vencer na Vida sem Fazer Força’, musical que teve sua primeira montagem nacional em 1964. A história segue com o sucesso de público e crítica ‘O Homem de La Mancha’, produzido pelo Atelier de Cultura em parceira com o SESI/FIESP no ano de 2014 foi uma remontagem, já que entre 1972-1974, o musical ficou em cartaz no Rio e São Paulo, com Paulo Autran e Bibi Ferreira a frente do elenco. Bibi Ferreira também estrelou outros musicais na década de 60 que foram remontados aqui no Brasil recentemente: ‘Alô Dolly!’, musical que foi remontado em 2013 com a saudosa Marília Pêra como a personagem título e ‘My Fair Lady’, remontada por Jorge Takla em 2007, com Amanda Acosta no papel principal. E se falando em Takla, muito antes de Paula Capovilla arrasar como a primeira dama argentina em ‘Evita’, o musical foi montado em 1983 no Rio e em 1986 em São Paulo, antes da recente versão de 2011.

Agora é a vez dos musicais produzidos após o renascimento do Teatro Musical após os anos 2000, terem suas remontagens. ‘My Fair Lady’ ganhará outro revival nesse ano pela habilidosa direção de Takla no segundo semestre em São Paulo. No primeiro semestre, ‘Meu Amigo Charlie Brown’, que estreou em 2010, ganha remontagem pela Néctar Cultural mantendo boa parte do elenco original, já a Sarau Agência de Cultura se prepara para trazer uma nova montagem do musical ‘Gota D’Água’ de Chico Buarque, com Laila Garin no elenco. Outra remontagem anunciada foi a do musical "Rent!", musical de Jonathan Larson que foi uma grande produção que marcou os primórdios do renascimento do Teatro Musical no Brasil: O musical estreou em 1999 e foi produzido pela CIE (que anos mais tarde viria a se tornar a T4F) e teve direção de Billy Bond, embora não tenha sido anunciado maiores detalhes sobre a nova remontagem, o musical já conta com uma conta no instagram, @rentnobrasil, que animou os fão do musical com esse possível revival.

Além dessas montagens confirmadas, Cláudio Botelho confirmou no ano passado que estava novamente com os direitos de ‘A Noviça Rebelde’, musical que montou inicialmente em 2008. A Möeller & Botelho também promete para esse ano ‘Pippin’, musical que foi primeiramente montado no Brasil em 1974 com Marco Nanini no papel título e Marília Pêra como Mestre de Cerimônias. Seguindo a ideia, o Backs resolveu listar revivals que poderiam ocorrer num futuro próximo nos palcos brasileiros.

1. Les Misérbles

Começamos a lista com um grande clássico da Broadway e que foi um grande marco na história do Teatro Musical Brasileiro. O musical inspirado na obra de Victor Hugo inaugurou o Teatro Abril (hoje Renault) em 2001 dando início ao que viria ser o boom dos grandes musicais estrangeiros tendo suas montagens por aqui. Com Marcos Tumura, Saulo Vasconcelos, Alessandra Maestrini, Sara Sarres, Fred Silveira, Ester Elias no elenco, ‘Le Mis’ foi um divisor na carreira de todos os que integraram o elenco.

Em 2014, uma nova montagem do musical estreou nos palcos da Broadway, alavancando grandes elogios e ascendendo um a esperança de uma possível remontagem nos palcos nacionais, com fãs de musicais escalando o seu dreamcast. Entre barricadas e lutas, permeadas por uma trilha sonora de emocionar toda a plateia, o público brasileiro anseia pelo dia em que irá rever a caça de Javert por Val Jean, se unir a revolução com Enjolras, Grantaire, Marius e Gavroche; se compadecer de Eponine ‪#‎foreveralone‬ e é claro, chorar e viver o sonho com Fantine. “Há um novo firmamento: ouçam todos a cantar”.

Elenco de ‘Les Misérables’ canta ‘Só Mais Um/One Day More’ na primeira edição do Prêmio Bibi Ferreira.

2. Company

Um dos grandes musicais de Stephen Sondheim e George Furth foi montado no Brasil em 2000 por uma Möeller & Botelho ainda embrionária. A audácia da dupla em produzir um espetáculo de um dos grandes nomes do Teatro Musical da atualidade numa época em que os musicais ainda eram escassos no Brasil (A temporada paulista de Company estreou no mesmo dia que a montagem nacional de ‘Les Mis’) que os próprios autores do musical vieram conferir o musical de perto e saíram bastante satisfeitos. O musical fez grande sucesso em sua temporada Carioca e chegou a lançar um CD que foi até mesmo comercializado no exterior.

No elenco constavam nomes como Daniel Boaventura, Claudia Netto, Sabrina Kogut, Totia Meirelles, Ricca Barros e Cidália Castro além do próprio Botelho vivendo o protagonista Robert (Bobby). ‘Company’ foi o pontapé inicial da dupla paraoutras produções de Sondheim: Vieram ‘Lado a Lado com Sondheim (2005)’e ‘Gypsy (2010)’ mas por que parar por ai? Com um humor peculiar, Sondheim retrata a história de cinco casais e de um homem com três namoradas, destacando os problemas relacionais desse grupo de amigos. O musical é um marco para o estilo dos trabalhos do compositor e também, um marco para a história do Teatro Musical feito no Brasil e por isso, merece um revival afinal, “a vida é mais, viver é mais”.

3. Grease

Sem dúvida alguma, ‘Grease’ está entre os clássicos dos clássicos dos musicais. Após o filme de 1978, com John Travolta e Olivia Newton-John, o musical de tornou um ícone cultural forte. No Brasil, a montagem oficial do musical de Jim Jacobs e Warren Casey chegou pela Asa Produções e Brazilian Spotlights em 2003, no elenco se destacavam Afonso Nigro (Danny), Amanda Acosta (Sandy), Paula Capovilla (Rizzo), Marcelo Boffa (Kenicke), Mariana ElizabetHsky (Jan), Ricardo Vieira (Roger), Laila Garin (Marty), Adriana Fonseca (Frenchy), Jarbas Homem de Mello (Teen Angel), Luiz Pacini (Jhonny Cassino) e Renata Bras (Cha Cha).

Após mais de uma década da temporada paulista no Teatro Sérgio Cardoso, um revival não seria uma má ideia: Pegando o embalo do revival da Broadway de 2007, a possível nova produção nacional poderia integrar as canções que foram compostas especialmente para o filme e que caíram no gosto do público como “Hopeless Devoted to You”; “Sandy”; “Grease (Is the World)” e “You’re The One That I Want”. Curiosamente, quando a montagem brasileira completar 15 anos, o filme completará seus 40 anos e, se somarmos ainda a versão Live produzida pela Fox que foi ao ar no início desse ano, temos um cenário muito favorável para vermos novos T-Birds e as Pinky Ladies nos palcos brasileiros.

4. Roda Viva

O repertório buarqueano é muito aclamado dentro da MPB e para o Teatro Musical, Chico Buarque também deixou um precioso legado. O musical, ‘Ópera do Malandro’ de 1978, por exemplo, foi montado recentemente por Charles Möeller e Cláudio Botelho, que levaram o musical até mesmo para Portugal e, no passado, a Cia da Revista e a Sarau Agência de Cultura trouxeram sua versão da história de Max Overseas. Já ‘O Grande Circo Místico’ de 1983 , foi remontado em 2013 pela Primeira Página Produções Culturais. Diante de um rico cardápio fica até difícil de escolher apenas um musical para receber um revival mas a nossa escolha fica com ‘Roda Viva’.

Montada originalmente no Rio de Janeiro em 1968, o musical foi a primeira obra de Chico para dramaturgia e contava com Marieta Severo, Heleno Prestes e Antônio Pedro sob direção de José Celso Martinez Corrêa. O musical contava a história de como o mercado fonográfico produzia sucessos na década de 1960, ressaltando o poder que imprensa e as gravadoras tinham na carreira dos artistas, manipulando a produção cultural em favor de um produto massificado, promovendo uma reflexão sobre a sociedade de consumo. A temática não agradou a Ditadura Militar e promoveu um dos episódios mais trágicos da história do teatro: Em novembro daquele ano, um grupo de 100 pessoas invadiu o Teatro Ruth Escobar destruindo o cenário e agredindo o elenco. Desde então o musical nunca mais foi montado, no entanto, no desejo de vermos produções que contam a história do nosso povo, o musical seria uma pedida perfeita, ainda mais trazendo uma reflexão sobre nossa sociedade.

5. Sete, O Musical

Mais um musical legitimamente brasileiro para nossa lista. ‘7, O Musical’ foi um espetáculo autoral produzido pela dupla Charles Möeller e Cláudio Botelho que fazia uma releitura dos contos de fada com uma roupagem mais adulta e noir. Com texto de Möeller, Letras de Botelho e Músicas compostas por Ed Motta, o musical sem dúvida é um dos destaques do grande portfólio da dupla e uma marca do Teatro Musical Brasileiro nos últimos anos. O musical estreou no Teatro João Caetano no Rio de Janeiro em 2007 e tinha no elenco nomes como Alessandra Maestrini, Alessandra Verney, Ida Gomes, Gottsha, Zezé Mota, Marya Bravo e Rogéria. O sucesso foi tanto que novas temporadas do musical ocorreram no ano seguinte e por fim, em 2009, o musical chegou aos palcos paulistas no Teatro Sérgio Cardoso.

Por mais que o musical tenha tido uma vida duradoura, ele permanece como uma obra completa e cheia de referências, construída em uma dramaturgia de qualidade reconhecida pelo Prêmio Shell de Qualidade e o Prêmio da APTR (Associação dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro) e, exatamente por isso merece um revival. O público atual seria privilegiado com uma nova montagem do musical.

6. Chorus Line

Um dos clássicos da Broadway montado no Brasil na década de 1980. O musical estreou em 1983, no Teatro Sérgio Cardoso em São Paulo e tinha no elenco nomes como Cláudia Raia, Alonso Barros, Teca Pereira, Raul Gazolla, Nádia Nardini, Heloísa Millet, Ruben Gabira e Maiza Tempesta, que também integrou o elenco de uma apresentação especial no musical na Broadway. O grande diferencial dessa produção foi que ela foi produzida por Walter Clark nos mesmos moldes da montagem original da Broadway, ou seja, figurino, cenário, marcações de palco, coreografia e tudo mais foram reproduzidos de maneira fiel ao que era apresentado em Nova Iorque, podendo-se dizer que foi a primeira franchise a ser montada no Brasil.

A história do musical é universal: Fala sobre teatro, sobre dança, sobre audições e a vida e carreira dos performers de Teatro Musical. Com coreografias explosivas, solos-monólogos que aprofundam as motivações de cada personagem e icônico figurino dourado, ‘Chorus Line’ não deve ficar lá atrás em nossa história e sim, celebrado com um revival belíssimo, com direito a muitas pernas altas levantadas em perfeita sincronia.

7. West Side Story

Claramente inspirado no clássico “Romeu e Julieta” de William Shakeaspeare, ‘West Side Story’ marcou outro encontro de Cláudio Botelho com a obra da Sondheim (uma vez que versionou o musical). A produção e direção ficaram por conta Jorge Takla que reuniu no elenco Bianca Tadini e Fred Silveira como protagonistas ao lado de Luciano Andrey, Sara Sarres, Adalberto Halvez e Francarlos Rei. O musical fez temporada no Teatro Alfa em 2008, sob direção musical de Gustavo Petri, figurinos de Fábio Namatame e coreografias de Tânia Nardini baseadas na premiada coreografia de Jerome Robbins.

Porque Merece um revival ? Bom, o musical em si é uma obra prima, dentro de uma obra mundialmente consagrada: A história das famílias Capuleto (Jets) e Montecchio (Sharks) ainda é uma das estórias mais contadas nos palcos e essa adaptação passada na Nova Iorque dos anos 60 mostrando a rivalidade entre gangues de rua e a problemática dos imigrantes é verdadeiramente emocionante. Sendo trágico ou não, esperamos o dia em que cantaremos da plateia, junto do elenco “la la la America” mais uma vez numa remontagem, que como a primeira, seja digna dessa grande musical.

8. Rock Horror Show

O musical de Richerd O'Brian é famoso por sua versão cimatográfica de 1975, com direção de Jim Sharman. Considerado uma obra cult, "Rocky Horror Picture Show" arrasta fãs até hoje para uma sessão que ocorre toda sexta-feira em Nova York, onde o público vai assistir ao filme fantasiado como as personagens, interagindo com as cenas e chegam até a dançar as coreografias. O espetáculo é também a nova aposta de FOX, que está trabalhando em um remake previsto para ser lançado em outubro deste ano, contando com grandes nomes no elenco, como Laverne Cox (Dr.Frank N Furter), Ryan McCartan (Brad), Annaleigh Ashford (Columbia) e Adam Lambert (Eddie).

A primeira montagem do espetáculo no Brasil ocorreu em 1975, no Teatro da Praia, Rio de Janeiro, com direção de Rubens Corrêa, e versões bem abrasileiradas de Jorge Mautner, Zé Rodrix e Kao Rossman, O elenco contava com Eduardo Conde (Frank N Furter), Wolf Maya (Brad) e Diana Strella (Janet). Infelizmente existem poucos registros dessa produção, deixando os antigos fãs com saudades, e uma nova geração sem ter ideia do que é se divertir vendo essa maravilhosa obra sendo representada num palco.

9. Vitor Ou Vitória

Mais um dos musicais montados nos primórdios do renascimento dos musicais no início da última década. Nesse musical composto por Henry Mancini, Frank Wildhorn e Leslie Bricusse, somos apresentados a Vitória Grant, uma cantora operística desemprega que se passa por homem (o Conde Vitor Grezhinski) para conseguir emprego como cantor transformista. Uma trama aparentemente inocente que resulta em um musical repleto de números impressionantes como ‘Le Jazz Hot’ e ‘Chicago Illinois’. No Brasil, o musical foi montado em 2001 sob direção de Jorge Takla e tinha no elenco Léo Jayme, Daniel Boaventura, Nando Prado, Drica Moraes e Neusa Romano, além de Marília Pêra no papel principal.

O musical é um clássico que foi imortalizado nos palcos da Broadway e no cinema por Julie Andrews. Trata-se de uma comédia divertida, que conduz pelos truques de Vitória em meio a sua farsa na esperança de conseguir um bom dinheiro. Como o público brasileiro gosta de uma boa comédia, esse musical seria outra boa opção de revival.

10. O Fantasma da Ópera

Esse sem dúvida é um dos musicais mais emblemáticos de toda a história do Teatro Musical. Produzido no Brasil como uma franchise entre os anos de 2005 a 2007, foi um dos musicais dessa nova leva que ficou mais tempo em cartaz de forma ininterrupta. Durante o tempo em que esteve em cartaz, O Fantasma atraiu milhares de turistas à capital paulista que lotavam todas as sessões no Teatro Abril (atual Renault): O sucesso foi estrondoso! No elenco figuravam nomes como Saulo Vasconcelos, Sara Sarres, Nando Prado, Kiara Sasso, Paula Capovilla, Marcos Tumura, Carol Puntel, Jonatas Joba, Edna de Oliveira, Fred Silveira, Bianca Tadini, Jana Amorim, Jarbas Homem de Mello, Fabi Bang, Cidália Castro e tantos outros.

A grandiosidade dos cenários, a beleza dos figurinos e mescla entre artistas vindo do teatro musical, ballet e ópera, fazem desse musical ser uma aposta segura para um revival. A obra prima de Andrew Lloyd Webber continua em cartaz na Broadway e na West End londrina, dez anos

se passaram desde a estreia do musical aqui no Brasil, ou seja, já está mais do que na hora do Brasil entrar novamente para o hall de locais aonde a estória da corista Christine será contada em meio à queda de lustres e barquinhos subterrâneos.

Backstage Musical © 2017 - Todos os direitos reservados.