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Crítica - Rádio Nacional

Por Fael Velloso

Ela surgiu em 1936, exatamente no dia 12 de setembro. Às 21 horas, em ponto, o apresentadorCelso Guimarães recepcionou os ouvintes, para o que seria um marco histórico no rádio do Brasil. Surgia ali a Rádio Nacional do Rio de Janeiro.

Com programas que entraram para a história, seja pelo glamour, ou pelo novo padrão de qualidade e originalidade, como foi o caso do Repórter Esso, a Rádio se tornou a mais ouvida no país, e era impossível não encontrar famílias sintonizadas em suas programações, que iam de jornalismo, telenovelas, programas de humor apresentados por ícones como Brandão Filho ePaulo Gracindo, e claro, os grandes programas de auditório, onde grandes clássicos foram cantados por estrelas da música, como Emilinha Borba, Marlene, Cauby Peixoto, Ary Barroso, Dalva de Oliveira, Orlando Silva, entre muitos outros.

E é com esse clima de revival, utilizando da música para contar um pouco da história não só da rádio, mas de como a população se comportava diante dela, que o espetáculo RÁDIO NACIONAL – AS ONDAS QUE CONQUISTARAM O BRASIL conquista a sua plateia. Escrita por Fátima Valença. Viajamos no tempo junto com os personagens Araci (Claudia Vigonne), uma esposa que vive aos comandos de seu marido Abílio (Anderson Muller, ótimo!), e que passa o dia inteiro sintonizada na Rádio Nacional. Os dois vivem brigando pelas constantes desculpas esfarrapadas que Abílio inventa por chegar tarde, porém, a chegada de uma vizinha desquitada ( o que para a época era um anuncio de mulher sem escrúpulos), Iolanda (Renata Celidonio), que a estimula a sair das asas de Abílio, e ir com ela conhecer os grandes números musicais da Rádio.

A história do casal serve de pano-de-fundo e ligação para os números musicais que vão resgatando perolas da nossa música, cantadas por esses ícones representados no palco com tamanho carinho, respeito e fidelidade. Há, inclusive, uma cena inteira, onde se é contada a história de Ary Barroso, que não queria ser músico, entretanto compôs um dos maiores clássicos retratando seu amor pela país, em Aquarela do Brasil. E que emociona a todos.

A plateia é um show a parte, e fica impossível não se empolgar ou sensibilizar pela reação das pessoas que ali estão, e que viveram os áureos tempos da Rádio. Assim como no espetáculo sobre Emilinha e Marlene (escrito por Theresa Falcão e Julio Fischer e que foi produzido pelo Anderson Muller), onde os fãs se dividiam e ovacionavam às cantoras como se as reais ali estivessem, aqui, a cada apresentação, a cada número musical, os senhores e senhoras aplaudem, dançam, e se divertem com aquela viagem ao passado. Quem não era nascido naquela época, sente perfeitamente o clima nostálgico que toma conta do teatro. E sem contar a diversão que é ouvir osjingles da época, anunciando seus produtos de maneira bem peculiar.

O espetáculo está sendo encenado no Centro Cultural João Nogueira, o Imperator, no Méier, até o próximo dia 23 de novembro. Não deixem de assistir a essa aula de história viva, e com canções lindas.

SERVIÇOS:

Espetáculo: Rádio Nacional – as ondas que conquistaram o Brasil

Temporada: De 07 a 23 de novembro de 2014

Horário: Sexta a domingo, às 20h

Local: Centro Cultural João Nogueira – Teatro Imperator – Rua Dias da Cruz 170, Méier, Rio de Janeiro, RJ

Ingressos : R$60,00 (inteira) e R$30,00 (meia)

Bilheteria:

Terças e Quartas: 13h às 20h.

Quintas e Sextas: 13h às 21h30.

Sábados: 10h às 21h30.

Domingos: 10h às 19h30

Tel: (21) 2596-1090

Capacidade: 724 lugares

Gênero: Musical

Duração: 2h15m – intervalo de 10m

Classificação etária: Livre

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