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Inspiração nos Clássicos: West Side Story e outros Musicais Que Recontam a Literatura



Quem é fã de musical com certeza já ouviu de alguém ou até mesmo explicou para alguma pessoa West Side Story da seguinte forma: “É tipo Romeu e Julieta, só que se passa em Nova York e o contexto só briga de gangues entre americanos e latinos”. Bom, por mais clichê que qualquer frase similar a essa possa parecer, elas estão longes de serem inverdades.


É nítido que o musical de Leonard Bernstein, Arthur Laurents e Stephen Sondheim seja um reconto de uma das obras mais célebres de Shakespeare. Todo o desenrolar da ação está intimamente ligado com a forma como a ação avança no material fonte. Os grupos rivais, o baile, a cena do balcão, o casamento às escondidas, a briga que termina de forma trágica, as informações que são extraviadas. Só o desfecho que é propositalmente diferente: Na visão de Bernstein, a ideia era trazer uma imagem de esperança para o público.


Mas engana-se quem pensa que West Side Story é o único musical em que isso acontece. Não; não vamos listar aqui musicais que vieram de livros como é o caso de Lés Miserables, Wicked e O Fantasma da Ópera. A ideia é mostrar vezes em que um obra literária serviu de base um reconto da história em forma musical, seja de forma bem explícita ou mais sutil Veja só:


O Rei Leão

Mais uma vez, uma obra de Shakespeare é a base para uma história musical. Embora nunca tenha sido assumida pela Disney, é inegável a similaridade da animação com Hamlet.


Temos em O Rei Leão, um jovem príncipe que carrega a culpa da morte do pai em meio a trama de um tio ganancioso. Até mesmo a cena da conversa com o fantasma do pai está ali. Se na mágica animação Disney com animais da savana não dá pra perceber as semelhanças entre as obras, na versão teatral dirigida por Julie Taymor o teor trágico da história fica mais evidente e fica bem claro a influência da obra. A título de curiosidade, a sequência em animação “O Rei Leão 2 - O Reino de Simba” é levemente inspirada em Romeu e Julieta, mostrando a rivalidade entre duas tribos de leões e o despertar do amor entre seus filhotes.


Nuvem de Lágrimas

Esse musical ganhou os palcos brasileiros em 2015 e contava com texto de Anna Toledo e direção de Luciano Andrey. Lembrado pelo público como um singelo musical em celebração ao sertanejo raiz e a música caipira, Nuvem de Lágrimas era um reconto de “Orgulho e Preconceito”, obra mais célebre de Jane Austen.


A trama se passa no interior da Inglaterra e traz uma discussão sobre a sociedade da época, tocando em assuntos como a moral, educação, cultura e casamento. No musical de Anna Toledo, Elisabeth Bennet virou Bete Borba e Fitzwilliam Darcy virou só Darcy. Embalados pelos sucessos de Chitãozinho e Xororó, a música era o fio condutor da história dos protagonistas que precisavam romper com seus próprios paradigmas para ficarem juntos.


O Homem de La Mancha

Sim, naturalmente esse musical foi inspirado na obra prima de Miguel de Cervantes. No entanto, colocamos ele na lista não apenas para falar de Dom Quixote de La Mancha. O musical de Dale Wasserman e Mitch Leigh conta a icônica saga do cavaleiro errante mesclando com a vida de seu autor e, na produção brasileira do Atelier de Cultura, a obra ganhou uma camada extra.


Dirigido e versionado por Miguel Falabella, o musical saiu do contexto original de um calabouço da inquisição espanhola e passou a ser ambientado dentro de um hospício, onde os internos encenam a história. A sacada de mestre de Falabella foi fazer um paralelo do obra original com a vida e obra de Artur Bispo do Rosário, artista plástico brasileiro que foi interno de um hospital psiquiátrico.


As referências e inspirações à obra estão no figurino de Cláudio Tovar e na cenográfica de Matt Kinley e David Harris, e também na figura do Governador, personagens que foi interpretado por Guilherme Sant’Anna que personificava a figura de Bispo do Rosário. Uma combinação improvável, mas que foi feita com maestria e que deu muito certo.


O Mágico di Ó

A inspiração pode até parecer óbvia pelo título, mas nem por isso é menos genial. No segundo musical do Rochaverso, vemos o reconto da história de L Frank Baum contada de um forma bem brasileira. No entanto, a originalidade aqui não está no abrasileiramento do clássico infantil. A nova roupagem foi feita de forma proposital (e genial) por Vitor Rocha.


Em O Mágico di Ó, Dorothy se torna Doroteia e a estrada de tijolos amarelos é uma grande simbologia para contar a saga do povo nordestino até os grandes centros urbanos, como São Paulo, em busca de uma nova vida, melhores condições ao mesmo que tempo que fogem da seca, fome, miséria e lidam com a saudade do que ficou pra trás. Embalado por canções originais compostas em parceria com Elton Towersey, a trilha traz ritmos como xote, baião e forró, além de figuras como Espantalho e Homem de Lata reimaginados como Mamulengo e Cabra de Lata. Belo, inspirador e em breve nos cinemas. (Mas enquanto isso da pra escutar no Spotify)


Trilogia Aventura

Após trazer ao público musicais biográficos, é que celebram os ritmos brasileiros, a Aventura começou a recontar alguns clássicos da literatura de forma musical. Foi desse pretexto que nasceram “Romeu +Julieta - Ao Som de Marisa Monte” e “Merlin e Arthur - Um Sonho de Liberdade”.


A primeira montagem trazia Tiago Barbosa e Bárbara Sut no papel do jovem casal. As músicas de Marisa Monte foram escolhidas para embalar a história de amor proibido. Diferente de West Side Story, a produção da Aventura realmente era ambientada na Verona de 1500 e trazia o conflito dos Montecchio e Capuletos. O figurino de João Pimenta era um dos destaques da produção.


Já Merlin e Arthur - Um Sonho de Liberdade, era um reconto da história de Rei Arthur,muitas vezes atribuído a Howard Pyle, com canções de Raul Seixas. No elenco, Paulinho Moska era Arthur e Vera Holtz fazia Merlin como uma entidade em inserções audiovisuais. Larissa Bracher era Guinevere, Kacau Gomes Anamorg e Gustavo Machado era Lancelot. Ambas produções foram dirigidas e tinham concepção original de Guilherme Leme Garcia e marcadas por uma interpretação mais contemporânea e com uso de recurso tecnológicos para apresentar histórias já consagradas.

A próxima empreitada da Aventura será o recém anunciado, Tristão e Isolda - Ópera Expandida. Ainda sem muitos detalhes, será um espetáculo baseado na clássica tragédia lenda de Tristão e Isolda que ganhou popularidade entre os celtas. Depois das últimas produções temos uma certeza: vem coisa boa por aí!


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