Celebre Smash!

1/6/2020

 A série musical preferida de todos nós voltou aos spotlights nessas últimas semanas, com a transmissão do concerto com músicas de Bombshell, e o anúncio que uma versão de palco da série está a caminho da Broadway, produzido por Steven Spielberg.

Se você é novo no meio do teatro e não viveu o período de glória de Smash, aqui vai um breve resumo: A série segue a de Julia e Tom (Debra Messing e Christian Borle), uma dupla de escritores e compositores que tem a ideia de montar um espetáculo biográfico sobre Marilyn Monroe, chamado Bombshell. Duas atrizes, Karen e Ivy (Katharine McPhee e Megan Hilty) disputam o papel do ícone do cinema. Durante a série, vemos todo o processo de criação do espetáculo, desde seus primeiros rascunhos, audições, workshops, tryouts, até sua chegada a Broadway e ao Tony Awards.

 A série se torna icônica ao explorar a fundo e fazer um retrato desse mercado que a gente tanto, apresentando, para quem não conhece, todo o caminho de um espetáculo até chegar aos palcos da Broadway, e apresentando esse universo para aquelas pessoas que ainda não conhecem quase nada de teatro musical. Além, é claro, de seus números musicais icônicos, que por si só, já fazem valer a pena a série.

Um outro ponto alto da série, é também seu elenco, composto por diversos grandes nomes do teatro musical, entre eles, Christian Borle, Jeremy Jordan, Leslie Odom Jr, Krysta Rodriguez, Megan Hilty, Andy Mientus, Wesley Taylor, Will Chase, entre muitos outros.

Como defendido pelos atores durante a transmissão do concerto, Smash se tornou um fenômeno cult, que carrega fãs obcecados pela série mesmo tantos anos após sua última temporada (que teve seu último episódio em maio de 2013!). Com os ingressos do concerto que se esgotaram em 15 minutos, Debra Messing conta que ofereceram ao seu marido 6 mil dólares para um ingresso, na porta do teatro.

A adaptação para os palcos pretende manter as mesmas histórias centrais da série, mostrando o esforço de Tom e Julia para levar o projeto de seu musical a diante, e a trama entre Ivy e Karen, para saber quem seria a escolhida para interpretar Marilyn.

Confesso que é um alívio os planos seguirem para uma versão de palco da série, e não transformar Bombshell em um musical real sobre a vida de Marilyn, como havia sido dito anteriormente. Isso porque já tiveram diversas tentativas de transformar a história desse ícone do cinema em musical, inclusive até já chagaram na Broadway, mas todas fracassaram. Não teria motivo para mais um musical baseado nela dar certo, mesmo com as musicas já conhecidas. Nessa nova visão, de levar a série para os palcos, poderíamos relembrar esses personagens que nos marcaram tanto, cada um com sua trajetória, e ainda sim homenagear Marilyn, mas agora de uma forma mais sútil.

 

É claro que nem tudo são flores. Alguns aspectos da série envelheceram um tanto mal, um bom exemplo é o personagem do Derek, que depois dos escândalos que tiveram nos anos seguintes à série de abuso sexual no meio artístico, a representação desse personagem se torna um tanto irresponsável. Além do carisma do ator e da química clara com a personagem Ivy e principalmente com a Karen, na segunda temporada, o personagem ganha um status inicial de vítima quando a primeira pessoa quem o denúncia é uma atriz que aparentemente teve uma relação de interesse mútuo com ele e usa essa relação como desculpa para justificar sua saída do espetáculo, não podendo revelar que o real motivo foi não saber cantar. Uma outra atriz que o acusa de abuso sexual tenta usar isso como forma de conseguir um papel em seu novo musical. Mesmo a gente já sabendo de comportamentos abusivos dele do passado, essa situação tenta fazer a gente sentir uma certa pena por ele, e esconde a monstruosa realidade desse mercado. Tudo isso coroado pela fala da Eileen, no último episódio, que diz para Derek, como forma de consolo, que bastaria um novo espetáculo dele para as pessoas esquecerem suas atrocidades.

 

Outra coisa que pode incomodar um pouco é uma certa romantização da equipe criativa, mostrando todos como “pessoas de bem”, que só cometem erros em suas vidas pessoais, e o único “vilãozinho” desse mercado é um produtor que mal aparece e faz o que faz só para atingir sua ex-esposa, e o assistente que não tem quase poder nenhum para fazer algum mal a qualquer ator.

Isso faz aparentar que os únicos dramas enfrentados por atores nesse mercado é a disputa por um personagem, escondendo perrengues que podem ser bem piores. Inclusive, mesmo a perda de personagens para atores já famosos, que é usa realidade desse mercado, acaba aparecendo bem superficialmente, com uma personagem que aparece durante pouquíssimos episódios e nem chega a completar as sessões dos tryouts de Bombshell.

 

 Mas apesar disso, Smash é, e continuará sendo uma celebração linda e atemporal desse mercado que a gente tanto ama.

 

 

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