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Luiz Araújo fala sobre os ensaios de "Lilás - Um Musical em Tons Reais"


Luiz Araújo é ator, cantor, locutor, apresentador, mestre de cerimônias e coach de ator, formado pela EAD/USP. Com mais de 20 espetáculos teatrais musicais no currículo, entre eles “Dois Filhos de Francisco “, “Hoje é dia de Maria “, “Alegria Alegria” e “Lisbela e o Prisioneiro “, ele se prepara para a estreia de mais uma musical. Em "Lilás - Um Musical em Tons de Verdade", ele dará vida ao pintor Miguel nesse musical contado com músicas de Djavan. Entre um ensaio online e outro, o ator conversou com Backstage Musical sobre os desafios desse novo projeto.

1. Luiz, conta pra gente um pouco da sua trajetória no teatro e como você se interessou pela carreira artística.

Eu sou ator desde os 13 anos. Comecei no teatro mesmo e depois fui pra publicidade fazer comerciais. Antes de cursar a Escola de Arte Dramática (EAD/USP), fiz cursos com os mestres Renato Borghi, Bia Lessa e Gerald Thomas. Ser ator sempre foi uma maneira de me expressar, era muito tímido (ainda sou um pouco rs). Hoje acredito que com a minha arte consigo fazer as pessoas refletirem sobre o nosso tempo, sobre suas atitudes em sociedade, nos relacionamentos. Teatro realmente cura!

2. Sobre “Lilás - Um Musical Em Tons de Verdade”, como surgiu o convite para fazer uma peça usando as músicas do Djavan?

Então, já é a quarta produção que faço com a MP Produção Cultural, e mais uma vez fiz teste com outros amigos de profissão, o que mostra a seriedade em escolher o ator certo pra montagem. Fico muito honrado de novamente estar com a Lígia em cena contando mais uma linda história de amor. Dessa vez mais real, mais do nosso tempo.

3. E qual a história por trás desse musical?

Basicamente, ‘Lilás’ nos mostra que o ser humano não é uma ilha, que precisamos estar conectados com o outro, com as questões da nossa sociedade, sair um pouco desse pensamento individualista que tem nos feito nos afastar cada vez mais das pessoas, das questões sociais. É uma história de amor, parceria, mas também mostra as ciladas que nos colocamos ao nos alienar, nos fechar para o mundo, falamos de superação e também das fraquezas que todos estamos sujeitos a enfrentar.

4. O seu personagem Miguel é um pintor e tem um problema com drogas além de ser bem o oposto do seu par romântico, a bailarina Liz. Como foi a construção dessa personagem tão cheio de nuances?

Tá acontecendo né rs, estou no meio da construção desse personagem extremante real e complexo. Miguel é leve, irreverente, mas quando enfraquece vai para um caminho de trevas perigosíssimo, onde se deixa levar pelas drogas. Ele tem uma melancolia muito familiar a pessoas que não buscam se entender, se olhar de verdade. Ele nega o passado humilde, e se aliena em sua arte, no seu amor incondicional por Liz.

Tenho visto documentários, filmes que tratam dos temas do espetáculo. Falei muito com um amigo querido que passou por uma internação para se livrar da dependência química. Estou em contato também com um artista plástico muito bacana chamado João Di Souza, onde antes dessa loucura toda do afastamento por conta do Coronavírus, pude passar um período em seu atelier pra entrar mais nesse universo das artes plásticas, pude vê-lo pintar, pude ver suas obras de perto, acompanhar um pouco o processo de criação e até me aventurei pintar um pouco com ele. Passando essa quarentena pretendo voltar ao seu atelier e fazer mais vivências, ter mais familiaridade com pincéis e tintas.

5. Como tem sido esse processo de aprofundamento na obra desse ícone da MPB? O que você descobriu ao estudar as letras?

Tem sido enriquecedor demais! São canções complexas, com harmonias e melodias difíceis, letras extremamente poéticas e que precisam de uma boa pesquisa para serem entendidas. Quem nunca trocou uma letra de suas músicas? (risos) Djavan compõe com referências literárias, fala de amor usando artes plásticas, cores...é genial!

6. A pandemia da COVID-19 pegou a todos de surpresa e vocês decidiram manter o cronograma com ensaios on-line, como tem sido esse desafio? Vocês já pensaram em compartilhar o ensaio com o público?

Tem sido um desafio! O nosso diretor Kleber Montanheiro, junto com o nosso diretor musical João Pardal nos deu em duas semanas de ensaios presenciais antes da quarentena uma boa base para podermos aprofundar esses personagens, essas canções, o que nos permite seguir on-line. Mas tem o limite do toque mesmo né?! Eu e a Lígia temos muita intimidade artística, pessoal, mas dessa vez precisamos verticalizar o universo desses personagens, sair da nossa zona de conforto. Temos um bom trabalho pela frente, de muita reflexão e conversas, estou achando o máximo! Mas contando os dias para voltar aos nossos ensaios reais, ao vivo. Por enquanto tem sido um momento nosso mesmo, por conta da complexidade do texto criado pela Francisca Braga, que criou um delicioso (e difícil) quebra cabeça, misturando texto dela com as músicas do Djavan. Acho que logo podemos compartilhar algo com as pessoas sim, que estão cada vez mais curiosas.

7. Quais as expectativas para a temporada de ‘Lilás’? Por que todos devem assistir?

As expectativas são as melhores. É um espetáculo necessário para o nosso tempo. Falamos com muito amor de como se relacionar e vivenciar verdadeiramente o mundo do outro, de como podemos estar mais presentes em questões que envolvem nossa sociedade, as carências que temos com nossos governantes, e as afetivas. Falamos de inclusão de pessoas com mobilidade reduzida, superação a vícios que podem levar à morte. Tudo com muito amor, que realmente é o que transforma a todos nós, nos aproxima. Precisamos nos conectar com o todo nesses tempos de muita informação e pouca conexão.

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