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#ENTREVISTA Lígia Paula Machado



A atriz, cantora, bailarina clássica e diretora da MP Produção Cultural, Lígia Paula Machado está à frente de mais um espetáculo. Depois de produzir e estrelar em musicais como “A Noite dos Assassinos”, de José Triana; “Quando as máquinas param”, de Plinio Marcos; “Entre Quatro paredes”, de Jean Paul Sartre, “O Primo Basilio, Musical”, o monólogo “Valsa n. 6”, “Lisbela e o Prisioneiro Musical”, o off broadway “Blink” Phil Porter e “Hoje é dia de Maria, Musical”. Atualmente ela se prepara para dar vida a Liz, no espetáculo "Lilás, Um Musical Em Tons Reais". o Backstage Musical conversou com a atriz para saber um pouco mais dessa experiência, confira:



Como surgiu o interesse nesse texto?


Há alguns anos eu vinha incentivando a Francisca (minha sócia) a fazer um texto teatral autoral. Com a formação dela em Letras e a especialização em Literatura, ela teve bagagem suficiente para adaptar os textos dos espetáculos que vínhamos produzindo e escrever paralelamente alguns romances não publicados. Eu “determinei” que estava na hora deste “próximo passo” e comecei a bombardeá-la com a ideia. De uma forma bem objetiva sugeri milhares de enredos que pudessem despertar o interesse dela, fiz isso por alguns meses. Até que o enredo de Liz e Miguel a interessou e ela começou a dar vida à esta história.


Como foi a escolha das músicas do Djavan?


As canções de Djavan são recheadas de simbolismo, poesia e cultura. Pesquisamos musicas que auxiliassem no enredo, para que quando a emoção não coubesse mais em palavras, se transformasse em melodia. Utilizamos canções conhecidas e outras nem tão conhecidas como é o caso de “Bailarina” ou “Água”.


Quais os desafios e como você se preparou para dar vida a uma cadeirante?


Falando sobre mobilidade reduzida, vejo como foi fundamental para meu crescimento como ser humano me aprofundar nesta personagem. Antes de criar a Liz, conversei com muitas mulheres com mobilidade reduzida que utilizam cadeira de rodas para se locomover, soube de suas histórias, trajetória, de seus medos, garra, força, resiliência dificuldades com situações adversas, a independência, a produtividade, a falta de respeito da população, a diferença da inclusão no mundo e no Brasil etc. Por exemplo, você pensa em ligar no bar antes de sair de casa para saber como é o banheiro? Você precisa pedir permissão antes de ir numa aula de dança? Você precisa saber se te aceitam antes de ir na natação? Tudo isso foi abrindo minha cabeça para algo muito, mas muito além de qualquer perspectiva.


Fora que minha personagem luta pela causa alheia, independente de qualquer desafio que ela possa encontrar. Ela tem força, convicções, princípios de pensar no coletivo, dedicando sua vida a tirar crianças das ruas, das drogas e levando-as para uma Casa de Cultura.

O grande desafio que eu estou passando é aprender uma modalidade que é muito praticada lá fora, que se chama Wheelchair Dance. Alguns conhecem no Brasil como Dança Esportiva em Cadeira de Rodas, que inclusive é um esporte Paraolímpico.


Por que esse espetáculo é necessário nos dias atuais?


Acredito que seja necessário vermos esta heroína, que representa todas as mulheres guerreiras. Quebrar um tabu, pois a maioria pensa que após uma pessoa se tornar cadeirante ela fica dependente pelo resto da vida e não, há inúmeras adaptações para que sua vida seja produtiva e independente. É a representatividade de como “pensarmos fora da casinha”. Estas heroínas com mobilidade reduzida têm uma força e uma determinação que muitos com mobilidade integral não têm. Eu quis trazer todos os refletores para este tema. Para finalizar eu compartilho que um dia destes presenciei um carro estacionar na vaga de acessibilidade na frente de um café extremamente conhecido no bairro de Moema, saíram do carro 4 jovens, eu fui até eles e disse “Por favor, vocês viram que a vaga que vocês estacionaram era para acessibilidade”? E a moça com seus amigos me respondeu ”Vai cuidar da sua vida, nós somos amigos do dono. Se precisar a gente sai.” Acredito que este tipo de população precisa pensar “fora da casinha” como diz a Liz, este tipo de comportamento é comum (infelizmente) e estas pessoas precisam despertar para a realidade.


Por que todos devem ir assistir 'Lilás - Um Musical Em Tons Reais'?


Este espetáculo trata basicamente de como é primordial caminharmos juntos, pensarmos no coletivo. O seu sucesso não depende exclusivamente do seu estudo, do seu dinheiro e das suas conquistas. Enquanto a sociedade pensar no individualismo, haverá discordância e conflitos. Lilás promove o despertar da consciência.

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