Leonardo Neiva fala sobre seu novo show Lírico Pero No Mucho

Com quase duas décadas de carreira e reunindo em seu currículo grandes óperas e trabalhos de destaque no meio do teatro musical, dentro e fora do Brasil, Leonardo Neiva se prepara agora para estrear seu mais novo show, "Lírico Pero No Mucho". Conversamos com ele para saber mais sobre a sua história com a arte e seus projetos, confiram:

 

 

Léo você está prestes a completar 20 anos de carreira, conta pra gente como você se descobriu como artista e ingressou no mundo da Ópera? O Teatro Musical veio depois... Conte um pouco da sua trajetória pra gente.

Eu me descobri como artista bem cedo... com 5 anos de idade já brincava com latas construindo minha bateria, gostava também de me caracterizar de diferentes personagens e ficava me apresentando para as pessoas em casa. Aos 6 anos de idade, eu já era solista do coro infantil da minha igreja, comecei a estudar piano, mas o canto era algo que me tocava. E aos 14 anos de idade, lancei o meu primeiro cd gospel e comecei a estudar canto lírico, e aos 18 anos, fiz meu primeiro concerto lírico com orquestra e côro profissionais. Com 21 anos de idade, lancei o meu segundo cd gospel e tive a oportunidade de cantar na abertura do show do grupo vocal "Take 6" (ganhador de vários Grammy´s). Viajei o Brasil inteiro cantando e fiz turnê nas igrejas da Flórida nos USA. Minha primeira ópera foi " O Barbeiro de Sevilha" também com 21 anos de idade. 


O Teatro musical já era uma paixão antiga, até mesmo por conta da influência de cantores gospel americanos que eu escutava desde pequeno, eles usavam a técnica do belt o que me levou a conhecer esse gênero. Lembro de encomendar um disco importado que demorava meses para chegar ou quando algum amigo já tinha o álbum, a gente fazia copia em vhs, k7 e ficávamos escutando aquilo o dia inteiro, nós reuníamos para escutar, depois tentávamos reproduzir aquilo procurando partituras de pessoas que tinham ido para os USA; naquela época era assim, não tínhamos internet e acho que, por conta disso aproveitávamos cada oportunidade como se fosse única.


Com 15 anos fiz a minha primeira montagem amadora de um musical ...E imagina qual era? O Fantasma da Opera, mas daquela vez interpretei o Raoul. Em 2001, vim para São Paulo fazer as audições do Les Miserables, passei e fui considerado pelo compositor Claude-Michel Schönberg o melhor Enjolras da história desse musical o que me levou a interpretá-lo também no México. Eu era também, cover de Jean Valjean e Javert, personagens maravilhosos que eu tive a honra de dar vida.

 

Vinte anos de carreira: Você já passou alguma vergonha no palco, algum mico ou improviso que ficou marcado na memória?
Já aconteceu de eu me machucar em cena, de dar risada com algum colega engraçado e eu ter que morder a boca me segurando pra não rir. Já improvisei letra, cena, já cantei rouco, com dor de barriga, já quebrei nota. Teatro é vivo, é real, é ali na hora, você tem que ter prontidão cênica para resolver as adversidades; tem que ter entrega, ser intenso, eu sou intenso e gosto do risco, não gosto de ficar na zona de conforto. Estar no palco é como jogar futebol, você pode levar uma rasteira do zagueiro, cair, mas daí você levanta e segue o jogo. No meu caso, eu sempre vou em direção ao gol.

 

“Lírico Pero No Mucho”: O que o público pode esperar do novo show?
Um repertório lindíssimo, de muito bom gosto, com a direção do meu amigo Jonathas Joba e direção musical do meu também amigo Leo Mancini. De lírico, só cantarei duas músicas, todas as demais serão jazz, pop, rock, mpb, romântico, música latina e claro, musical.

 

Como foi a escolha das músicas que compõem o set list? Qual sua música favorita?
A escolha das músicas é o mais difícil, pois pra mim a letra tem contar o que me toca, eu tenho que me identificar completamente. E ainda tem que ser um ritmo agradável para que o público se sinta envolvido e nem perceba que o show já passou.

 

Quanto as participações especiais: Quem você escolheu para estar junto desse momento especial?
Eu escolhi dois artistas que eu tenho extrema admiração profissional mas também como seres humanos, afinal eles conquistaram tudo na base do esforço, talento, dedicação e muita personalidade. E é por isso que eu tenho a honra de tê-los em meu show. À eles, a minha eterna gratidão por terem aceitado o convite. Obrigado Alessandra Maestrini e Tiago Abravanel.

 

Após 20 anos de carreira, quais os novos desafios para sua trajetória? Algum projeto especial para concretizar? Algum personagem que você ainda gostaria de fazer?
Bom, acho que agora comemorando esses 20 anos e já tenho a maturidade para saber o que eu não quero. Pretendo seguir com esse show que se Deus quiser será um sucesso e continuarei com minhas óperas, meus alunos, meus concertos e principalmente, rodeado de amigos que inclusive, abraçaram esse projeto e estão de mãos dadas comigo, isso não tem preço. Sobre um personagem que eu gostaria de fazer, seria o Sweeney Tood.

 

O que você acha do atual cenário dos musicais no Brasil?
Adoro toda essa efervescência, mas fico triste em ver tantos talentos sem oportunidade em detrimento de nomes com pouco conteúdo artístico e só midiático, claro que há exceções. Mas acredito que já está mais que na hora das empresas que patrocinam e os produtores pararem de subestimar o público.

 

Você recentemente participou como jurado do reality “Cultura, o Musical”. Conte um pouco dessa experiência, o que você tem achado dos novos talentos?
Uma enorme responsabilidade estar ali como jurado, pois sei muito bem como é ser julgado e me coloco no lugar deles. Ao mesmo tempo vejo que eles estão tendo uma oportunidade que eu não tive quando eu era jovem e fico feliz demais em vê-los numa competição com os olhos marejados e cheios de esperança de "chegar lá"; são esses jovens que eu quero que estejam nas produções feitas aqui no Brasil, pois eles são estudiosos, talentosos e amam o que fazem. Eles sim merecem esse espaço.

 

Pra completar: O que o Léo de hoje faria para o Léo de 20 anos atrás?
Ter sido menos ingênuo e idealista, e na primeira oportunidade que tive, ter saído do Brasil, coisa que nunca passou pela minha cabeça; afinal de contas vivemos um momento triste, social e político que não precisamos entrar no mérito da questão, mas sobreviver de arte aqui é literalmente uma missão impossível.

 

SERVIÇO

Leonardo Neiva - Lírico Pero No Mucho
Terça-feira, 4 de junho - 21h.

Teatro Opus - Avenida das Nações Unidas,4777 - Alto de Pinheiros, São Paulo/SP
Duração: 90 minutos.

Ingressos online: Uhuu

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