OS FRENÉTICOS ANOS 70!

4/12/2018

 


Os anos 70 são inesquecíveis até para aqueles que não vivenciaram um período sequer desta década tão cheia de cor, músicas e polêmicas. Se nos anos 60 a Jovem Guarda imperou, nos anos 70 o sonho de um mundo de paz, igual e melhor para todos foi dominando os jovens. E é com esse espírito que o espetáculo “70? Divino Maravilhoso, DOC. Musical”, novo espetáculo idealizado, dirigido e produzido por Frederico Reder, e com pesquisa, roteiro e dramaturgia de Marcos Nauer, mesma dupla responsável pelo espetáculo anterior, “60! Década de Arromba – Doc. Musical”.

Usando o mesmo formato de documentário musical consagrado em “60!”, o novo espetáculo traz toda a alegria disco para os palcos, com um elenco de cantores bailarinos e atores afinados, com fôlego o suficiente para manter um showzaço por quase três horas de duração, mas que voam como se fossem um daqueles filmes gostosos de se assistir. A direção mais uma vez consegue encaixar músicas e memórias em vídeos soltos nas telas espalhadas pelo palco, assim tornando um conjunto completo de importância histórica indiscutível. Um texto que caminha pelos esportes, artes, teatro, cinema, política, e tudo com sua mensagem incluída, relembrando os contextos sociais
Temos ali momentos como o fim dos Beatles, novelas, perdas de grandes ícones da música, discursos famosos, filmes, bandas, surgimento de movimentos, ditadura, tortura, assassinatos, mas mesmo que os temas pesados se misturem aos mais alegres, “70!” se sobressai por levar consigo uma idealização de que o tempo passou, mas as coisas que ainda preocupam na sociedade, e são discutidas, continuam sendo quase as mesmas, e Reder explica que a interrogação no título é justamente essa pergunta, se é um espetáculo sobre o passado ou sobre o atual momento político e cultural, principalmente no Brasil. É um espetáculo que visa o coletivo, não se prendendo em mostrar a vida de nenhum dos artistas citados na obra.

Se em “60!”, a Ternurinha Wanderléa era a cereja do bolo do espetáculo, chegando no segundo ato para contar suas histórias, cantar seus sucessos, e impressionar seu público com seu vigor e simpatia, agora, são As Frenéticas que assumem a missão de chegarem e mostrarem que merecem o status que levam até hoje. Com a presença de Dhu Moraes, Leiloca Neves e Sandra Pêra. O trio entra em cena num segundo ato recheado de sucessos, e não deixam a bola cair em momento algum. Além disso, ainda reservam um tempinho para homenagear as integrantes que já se foram.

 

 

Além de um arroubo histórico, o espetáculo se sobressai pela energia. Divididos em dois atos sendo o primeiro o LADO A (1970/1976) e o segundo, o LADO B (1977/1979), “70?" ganha status de superprodução nacional dada a sua grandiosidade. São quase 400 figurinos, 250 músicas entre nacionais e internacionais, 24 atores-cantores, uma equipe técnica grandiosa para dar conta de todo o pesado e variado equipamento de som e luz. Isso tudo aliado aos vídeos que conseguem ilustrar ainda mais o que vemos nos palcos, sem nunca tirar a atenção da plateia para o que está acontecendo no espaço cênico do palco.
Outros pontos que merecem destaques são as coreografias e direção de movimento do coreógrafo Victor Maia, que consegue dar vida a todos os atores e cenários, além de objetos de cena em cada número musical. As coisas fluem de uma maneira tão orgânica, e as coreografias são de uma complexidade mas beleza tão ímpar, que a gente fica cansado pelos atores, mas eles continuam lá, firmes, prontos para o próximo número. E se em time que está ganhando não se mexe, aqui temos o retorno da divertida dupla Rodrigo Naice (que também fez “60!”) e Tauã Delmiro (“60!”), que assumem quase que o lugar de mestres de cerimônias, ou até alívio cômico, incluindo dominar a plateia durante os quinze minutos de intervalo. A dupla assume as músicas mais divertidas do espetáculo, como “ Não se vá” imortalizada nas vozes de Jane e Herondy, “Pare de Tomar a pílula”, por Odair José, e “Na tonga da mironga do kabuletê”, de Vinícius de Moraes.

“70?” se consagra como mais um documentário musical teatral, que vem para fazer a plateia dar uma volta no tempo, reviver os embalos da disco, rever seus ídolos, cantar junto todas as músicas, e o mais bacana, é ver uma nova geração cantando junto. Uma nova geração acreditando nos ideais que seus pais acreditaram um dia. É um espetáculo que mesmo se vendendo como entretenimento, nos faz sair do teatro reflexivos. Pensando que o mundo gira, gira, gira, mas que muitas coisas acabam não mudando.

Preparem-se para números musicais que vão te fazer rir, chorar, e até mesmo se arrepiar.

ELENCO: Amanda Doring (de “60! Década de Arromba”), Amaury Soares, Barbara Ferr (de “Mundo Bita”), Camila Braunna (de “60! Década de Arromba”), Débora Pinheiro (de “O Som da Motown”), Erika Affonso (de “60! Década de Arromba”), Fernanda Biancamano (de “60! Década de Arromba”), Larissa Landim (de “Ou Tudo Ou Nada”), Laura Braga (de “Ayrton Senna, o Musical”), Leandro Massaferri (de “60! Década de Arromba”), Leilane Teles (de “Musical Popular Brasileiro”), Rany Hilston (de “A Pequena Loja dos Horrores”), Rosana Chayin (de “60! Década de Arromba”), Aquiles Nascimento, Bruno Boer (de “Peter Pan”), Diego Martins (de “Peter Pan”), Leo Araujo (de “60! Década de Arromba”), Nando Motta (de “O Homem de la Mancha”), Pedro Navarro (de “Peter Pan”), Pedro Roldan (de “Noite da Comédia Improvisada”), Rodrigo Morura (de “60! Década de Arromba”), Rodrigo Serphan (de “60! Década de Arromba”), Rodrigo Naice (de “60! Década de Arromba”) e Tauã Delmiro (de “60! Década de Arromba”).

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70? Década do Divino, Maravilhoso. Doc Musical'
Theatro Net Rio
Sala Tereza Rachel
Rua Siqueira Campos, 143
Copacabana
até 16 de dezembro
quintas e sextas, às 20h30
sábados, às 17h e 21h
domingo, às 18h
ingresso a partir de R$ 20,25 (balcão com visão parcial)
Classificação 14 anos

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