#Entrevista Gustavo Mazzei

23/6/2018

 

Conversamos com Gustavo Mazzei, ator/cantor que vem cada vez mais se destacando em nosso teatro musical brasileiro, atuou em “Dias de Luta, Dias de Glória – Charlie Brown Jr. O Musical”,  "A Era do Rock", atualmente faz parte do elenco de "Cargas D'Água - Um Musical de Bolso" como swing e em breve estreia em "A Pequena Loja dos Horrores". Com seus intensos estudo na área, com certeza em breve o veremos em muitas outras produções!  

 

Backstage Musical: Gustavo, conta um pouco da sua história pra gente.

Gustavo: Tudo começou quando eu nasci. Eu gosto de acreditar que nasci cantando, e não chorando, pois a minha paixão pela música sempre falou mais alto do qualquer coisa. Meu pai me deu uma educação musical muito rica e isso só fez aumentar ainda mais essa minha paixão e, também, me fez decidir que queria seguir a carreira de musico. Porém, quando eu estava na minha adolescência, eu entrei para uma companhia de teatro da escola e acabei me apaixonando pelas artes dramáticas. Bom, aí que eu me vi muito dividido, pois amava demais a música e também amava o teatro. Porém, essa dúvida foi sanada bem rápido quando eu descobri o Teatro Musical. Foi amor à primeira vista. Eu consegui encaixar as duas coisas que mais amava, numa só. Foi então que comecei a pesquisar um pouco mais sobre esse mundo dos musicais e entender como que ele funciona. Curiosamente, meu pai que trabalhava no SESI, ficou sabendo que a instituição iria abrir vagas para o primeiro curso de formação para atores em teatro musical, e me incentivou muito para que eu fizesse o curso. No ano de 2014 eu me mudei para São Paulo e entrei no curso. Passei três anos estudando e mergulhando mais ainda no meio musical. Tive aulas de canto, dança e interpretação com os melhores professores do mercado, como: Amélia Gumes, Beatriz Lucci, Christiane Matallo, Jamil Dias, Leonardo Neiva e vários outros. No ano de 2015, tive a minha primeira oportunidade de participar de uma produção profissional. Passei nas audições do musical “Dias de Luta, Dias de Glória – Charlie Brown Jr. O Musical”, como o personagem Xande. Foi uma boa experiência para mim, que ainda não tinha passado por nenhuma produção profissional antes. E, no ano de 2016, como encerramento do curso, as duas turmas ensaiaram e reproduziram o musical “Side show”, que na nossa montagem foi adaptado para “Freak Show”. Com muita felicidade eu interpretei o personagem Patrão, que foi um grande presente e desafio já que eu amo os antagonistas de musicais, porém acho eles muito difíceis de serem interpretados. Uma semana após o termino das aulas no SESI, eu fui convidado para as audições do musical “A Era do Rock” e, com muita felicidade, eu passei e integrei o elenco como Ensemble. Até agora, eu não vivi uma experiência artística tão incrível quanto os ensaios e apresentações desse musical. A direção foi muito bem-feita, as coreografias bem intensas, o clima de trabalho muito divertido e uma equipe bem animada para fazer o espetáculo acontecer. Logo após a finalização do espetáculo, eu fui convidado para participar do trabalho de conclusão de curso de um amigo meu, que montou o espetáculo “O 25º Concurso de Soletrar” no teatro da Unesp. Eu interpretei o personagem William Barfée e fui bem acompanhado por atores que acabaram se tornando grandes amigos. Seguidamente, eu recebi o convite de participar da leitura do espetáculo “Casusbelli”, como o personagem Tião. Foi a partir daí que eu conheci Vitor Rocha e May Calixto, que se tornaram grandes amigos e grandes parceiros de trabalho. Vitor me convidou para participar do espetáculo dele “Cargas D’Água – Um Musical de Bolso”, como Swing. Espetáculo esse que agora está em cartaz no espaço do Núcleo Experimental. Atualmente, sigo como swing neste espetáculo, estudo teatro na universidade Anhembi Morumbi e estou trabalhando também no meu projeto do YouTube: um canal onde eu gravo músicas de musicais chamado Musical de Uma Voz Só.

 

Backstage Musical: Como é o seu dia-a-dia quando não está em cartaz?

Gustavo: O dia-a-dia quando não estou em cartaz é bem tranquilo. Eu costumo ficar bastante em casa e gosto muito disso. Gosto de pegar musicais que ainda não conheço e escutar o soundtrack inteiro, pesquisar a história dele, quais atores participaram das montagens e etc. Gosto bastante de ficar pensando em qual música irei estudar, para uma nova gravação do canal. Gosto de treinar um pouco violão e bateria, que são meus instrumentos favoritos. Gosto de jogar um pouco de videogame também, pois sou um fascinado nos jogos eletrônicos. Assisto muitos vídeos no YouTube, de variados temas e canais. Além disso tudo, gosto muito de parar tudo o que faço para ler quadrinhos. Sou um apaixonado por esse mundo, tanto que minha única tatuagem representa essa minha paixão.

 

Backstage Musical: Quando veio a ideia de fazer um canal?

Gustavo: A ideia me veio quando resolvi me gravar cantando algumas músicas de musicais que eu gosto e postar esses vídeos no Instagram. Após fazer essas gravações, eu percebi o quanto foi prazeroso para mim cantar as músicas e pensei que seria muito interessante gravar mais outras canções para postar. Mas, dessa vez eu não queria só posta-las no Instagram, eu queria coloca-las no Youtube, pois lá eu consigo postar as músicas inteiras. Além do mais, eu recebi muitos feedbacks positivos com relação ao meu canto e a minha interpretação. Isso só me impulsionou mais ainda a criar mais conteúdo e mais vídeos com músicas variadas de musicais variados. Foi assim que surgiu o projeto Musical de Uma Voz Só.

 

Backstage Musical: Como você escolhe as músicas que quer gravar para o canal?

Gustavo: Eu escolho elas muito por conta da minha afeição com as músicas e com o musical. Também gosto de receber indicações de amigos e de ouvintes. Muitas vezes, as pessoas falam: “Nossa, você tem perfil para aquele personagem. Grave uma música dele”. Essas indicações costumam me ajudar também pois, assim eu fico sabendo o que as pessoas gostam de ouvir. Eu também opto por músicas que podem sair completamente do meu perfil. Músicas que eu nunca pensei em cantar, mas acabo cantando. Ultimamente, eu tenho feito uma planilha de opções de músicas e em qual dia irei gravá-las. Isso me ajuda bastante a me organizar.

 

Backstage Musical: Tem algum personagem/musical que você sonha em fazer?

Gustavo: O meu maior sonho é poder interpretar o personagem MC, do musical Cabaret. Eu tenho uma paixão muito grande por esse personagem, pois ele é extremamente fascinante para mim. Ao mesmo tempo em que ele é o personagem narrador da peça e o expectador tem ele como uma pessoa boa, ele é um grande antagonista que expõe muitos problemas e situações da época do Nazismo. Além do mais, eu sou apaixonado por esse personagem muito por conta da bela interpretação do ator Alan Cummings. Suas expressões faciais, seu trabalho de ator, seu modo de narrar a história, sua movimentação cênica e seu carisma, foram pontos chave para que eu almeje fazer um dia esta personagem.

 

Backstage Musical: Qual o maior desafio em ser ator?

Gustavo: Eu acredito que o maior desafio em ser ator seja: ser visto e reconhecido. O nosso mercado anda cheio de gente boa, talentosa e dedicada no que faz. Assim, a concorrência sempre fica maior e mais disputada. Por mais que a gente goste de ver nossos amigos entrarem em vários trabalhos, nós queremos que o nosso sonho se realize também. E, infelizmente, no mercado musical está cada vez mais difícil até ser chamado para audição, por conta de ninguém saber quem você é. Hoje em dia não adianta ter só um bom currículo. Hoje em dia, até a quantidade de seguidores no Instagram está contando.... Isso tudo só dificulta cada vez mais ter o seu trabalho reconhecido e admirado pelo bom público. Acredito que seja a maior dificuldade em ser um ator.

 

Backstage Musical: Atualmente você faz parte do elenco de Cargas D'água - Um Musical de Bolso, qual o desafio de fazer esse musical?

Gustavo: O meu maior desafio com relação ao Cargas é ter que saber o texto de Charles e Moleque. Como nós temos só três personagens no espetáculo, isso coloca uma carga de falas um tanto quanto elevada para os dois. Assim, é bem difícil conseguir lembrar de cada fala e deixa que cada personagem possui. Por mais que vários ensaios tenham sido realizados, as vezes eu e Vitor nos pegamos trocando de texto um do outro. Eu estou sentindo na veia o quanto o papel de Swing em uma peça é difícil e fascinante!

 

 

 

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