#ENTREVISTA: Anderson Bueno, visagista de Hebe, o Musical

29/3/2018

Se você assistiu “Hebe, o musical”, com certeza o primeiro ato, todo em preto e branco, chamou sua atenção e te fez ter a impressão de estar assistindo uma grande TV antiga. O responsável por esse incrível efeito é o maquiador Anderson Bueno, que assina o visagismo do espetáculo. Com quase 26 anos de carreira e 18 anos no meio do teatro musical, Anderson já foi o vencedor de diversos prêmios, como o “PRÊMIO ARTE QUALIDADE BRASIL 2016”, pelo espetáculo “Uma Luz Cor de Luar”, “PRÊMIO ARTE QUALIDADE BRASIL 2015”, pelo espetáculo “Frida Y Diego”, “TOP BRAZIL QUALITY AWARD 2013”, destaque de Melhor Maquiador do Ano, “PRÊMIO CENYMS 2013”, pelo musical “A Princesinha”, “PRÊMIO CABELOS & CIA 2012” de Melhor Maquiador em Artes Cênicas e “PRÊMIO AVON DE MAQUIAGEM 2010”, pelo musical "A Gaiola Das Loucas". 

 

O Backstage Musical conversou com ele a respeito desse lindo trabalho, confiram: 

 

BM: Atualmente, você é o responsável pelo visagismo do musical Hebe, onde o elenco aparece em branco e preto, no primeiro ato. Como foi o processo de criação desse visual? Quais cuidados você tomou para que o efeito causasse no público a sensação de estar realmente assistindo a TV em preto e branco? 

AB: Originalmente a ideia é do nosso diretor, Miguel Falabella, que propôs o PB para a cena, mas maquia-los de branco daria um aspecto muito "clownesco". Sugeri a ele que eles fossem mais acinzentados, como nas fotos em PB ou filmes antigos, onde os tons de pele variam de cinza claro á escuro, com leve tom cintilante em alguns casos. 

Fiz 4 diferentes testes de maquiagem, cada um usando produtos de marcas de fácil acesso e que tivessem linha de maquiagem teatral/artística. A que melhor nos atendeu, dando o efeito que queríamos foi o #DuoCake da VULT, que era bem sequinho, não deixando a pele oleosa e principalmente não saia com facilidade. 

O nosso próximo desafio era conseguir os produtos na quantidade necessária e ensinar os atores a produzirem suas bases no tom cinza. Por sorte, numa conversa com um dos donos da marca, ele adorou a ideia e abraçou o espetáculo, nos fornecendo toda a linha de produtos que precisávamos para o elenco e principalmente produzindo com exclusividade o Duo Cake na cor cinza. 

 

BM: Houve um trabalho em parceria com os responsáveis pela iluminação também, ou são departamentos completamente separados? 

AB: São departamentos separados, mas que trabalhando em harmonia, são o acabamento e efeito especial ao espetáculo. Eu não sei trabalhar sem me comunicar com eles, que me dão muita munição para o estilo e efeitos das caracterizações. 

 

BM: Quanto tempo, em média, demora o processo de maquiagem do elenco? 

AB: Agora que eles já estão mais seguros, uns 20 a 30 minutos, mais ou menos. 

 

BM: Você já trabalhou em outros musicais, acha que Hebe é o seu maior desafio? 

AB: Está entre os maiores! 

 

BM: Pela primeira vez, o Prêmio Bibi Ferreira 2017 teve a categoria “Melhor Visagismo”, como é pra você ver essa área ser cada vez mais reconhecida? Acha que em 2018 “Hebe, o Musical” pode estar concorrendo? 

AB: Eu fico muito feliz que os PRÊMIOS, não só o Bibi, venham reconhecendo a categoria de visagismo como uma categoria importante dentro dos criativos. Tira a maquiagem do Fantasma, tira a maquiagem da Elphaba... A caracterização/visagismo, é a lapidação daquele personagem que está sendo representado. Claro que o ator não pode se apoiar apenas numa boa caracterização, num bom figurino... Ele tem de saber vestir estes artifícios para que seu trabalho seja ainda mais percebido. 

 

O espetáculo "Frida y Diego" está entre os trabalhos de Anderson no teatro. 

 

Ele também foi o responsável pelo visagismo do musical "Uma Luz Cor de Luar" 

 

BM: Sobre os seus trabalhos anteriores, teve algum que você considera o mais especial? 

AB: Todos eles foram especiais de alguma maneira, mas sempre digo que "Vítor ou Vitória" foi meu divisor de águas! Quem assinava o visagismo era o Fabio Namatame e eu executava a maquiagem. 

 

BM: Você é muito fã de musicais? Tem algum específico, que você gostaria muito de trabalhar? 

AB: Eu me tornei muito fã! Eu tive o prazer de fazer o "Fantasma da Ópera", que pra mim é o musical dos musicais. "Wicked" também é ianque, eu amo! Não me envolvi, mas fiquei amigo do Joe Dulude, caracterizador do espetáculo. 

Atualmente não tem nenhum que me chame mais a atenção do que o HEBE! Rs 

Ando tão encantado e feliz com o resultado que se eu morrer hoje, morro feliz, muito feliz com o resultado alcançado e com a repercussão das caracterizações. 

 

 Anderson e a atriz Débora Reis, no primeiro teste de caracterização para o musical.

 O teste de caracterização aconteceu na casa da própria Hebe Camargo.

 

Se você ainda não assistiu “Hebe, o Musical”, corra! O espetáculo fica em cartaz até o dia 1 de abril, no Teatro Procópio Ferreira, em São Paulo. Sessões de quinta e sexta ás 21h, sábado ás 17h e 21h e domingo às 18h.

 

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