Ficha Musical #04 – SamBRA: 100 Anos de Samba

1/3/2017

ÔH Abre alas, que eu quero passar... Ou melhor, Abram-se as cortinas! Em clima de Carnaval, o #FichaMusical celebra a grande festa popular brasileira contando um pouco de um musical legitimamente brasileiro como um tributo ao Samba!

 

SAMBRA – 100 ANOS DE SAMBA 


Libreto: Gustavo Gasparani
Direção Original: Gustavo Gasparani
Música e Letra: SamBRA é um musical estilo jukebox elaborado a partir da coletânea de várias canções de samba.
Cronologia e Estreia: O musical fez suas sessões de estreia no Rio de Janeiro (19-22/Março 2015 - Vivo Rio) e em São Paulo (26-29/Março 2015 - Espaço das Américas) resultando um total de 8 apresentações  Turnê Nacional  Temporada Carioca ( Out- Dez/2015 - Teatro João Caetano) e Temporada Paulista (Abr-Junho/2016).  Nova Temporada Carioca, dessa vez na Cidade das Artes (agosto) e depois, no Teatro Riachuelo Rio entre setembro – novembro de 2016.

Elenco Original: Diogo Nogueira (depois substituído por Gustavo Gasparani); Ana Velloso; Beatriz Rabello; Izabella Bicalho; Lílian Valeska; Bruno Quixotte; Wladimir Pinheiro; Patrícia Costa; Alan Rocha; Cristiano Gualda; Édio Nunes; Cáta Cabral; Patrícia Ferrer; Shirlene Paixão; Isnard Manso; Pablo Dutra.
Produção: Musickeria Corp. e Aventura Entretenimento.

Coletânea de Cenas de SamBRA – 100 Anos de Samba

 

Sinopse: SamBRA tem uma narrativa quase cronológica que conta desde a história de “Pelo Telefone”, supostamente o primeiro samba gravado no país, passa pelo berço do samba, a Praça XI, visita os morros cariocas, o teatro de revista, fala de boemia e malandragem, passeia pelo samba politizado, pelos subúrbios cariocas e deságua na apoteose do samba na Avenida, no desfile das escolas de samba. Todos os grandes nomes deste gênero musical são lembrados: Pixinguinha, Silas de Oliveira, Mano Décio da Viola, Donga, João da Baiana, Sinhô, Ismael, Tia Ciata, Francisco Alves, Carmen Miranda, Grande Otelo, Cartola, João Nogueira, Clara Nunes, Paulo Cesar Pinheiro, Noel Rosa, Chico Buarque, Billy Blanco, Martinho da Vila, o Cacique de Ramos, Jorge Aragão, Silas de Oliveira, Beth Carvalho, Paulinho da Viola e muitos outros.

 

A Estrutura: 
Resumir um século de um ritmo musical não foi uma tarefa fácil, ainda mais que o musical tinha o intuito de ser um musical documentando essa história. A maneira encontrada pela equipe criativa foi de estruturar o musical em quadros que retratassem os diferentes movimentos e formas de como o Samba surgiu, se desenvolveu, se re-significou e foi difundido.


Obedecendo narrativa tal qual do Teatro de Revista, onde os blocos são independentes entre si, mas no todo, contam uma história, ‘SamBRA’ contava ao todo com 14 blocos e um Prólogo de abertura, num forma de misturar fragmentos históricos em que o Samba se encontrava com o Teatro.

O clássico de Ary Barroso “Aquarela do Brasil” abria o quadro mostrava a Samba se tornando conhecido pela cidade através do Teatro de Revista. Créditos: Arte View 

 

Personagens
Por ter uma roupagem do Teatro de revista, o elenco de SamBRA se revezava uma série de personagens para marcar quais foram os significantes para que o Samba se formasse, dentre eles destacamos:


Moleque Samba: Personagem que era personificação do Samba em si, tratado como um Moleque que nasceu no terreiro da Ciara e aos poucos foi crescendo, desenvolvendo e amadurecendo, fazendo amigos, frequentando a sociedade, conquistando o mundo, assimilando o novo e enfim, completando seu centenário sendo apreciado pelo povo brasileiro, sem perder sua essência. (Interpretado por Bruno Quixotte)


Tia Ciata: Matriarca da comunidade de negros e estrangeiros imigrantes judeus na Praça XI no Rio de Janeiro. As pessoas se reuniam no quintal de sua casa em festas de celebração e batuque. (interpretado por Lílian Valeska)


Batuqueiros e Baianas: Pessoas que se reuniam na casa da Tia Ciata


Cantores de Teatro de Revista: Cantores que se destacaram durante o auge do Teatro de Revista que difundiram o Samba para toda a cidade através das célebres composições de Ary Barroso e Luís Carlos da Vila. (Solo: Aquarela do Brasil).


Cantores do Rádio: Cantores que se destacaram durante a Era de Ouro da Rádio Nacional e contribuíram para a difusão do samba em âmbito nacional. Entre eles Mário Reis (interpretado por Diogo Nogueira/Gustavo Gasparani)


Personalidades que apareciam em cena: João Gilberto (*interpretado por Diogo Nogueira/Gustavo Gasparani); Carmen Miranda e Beth Carvalho (*interpretadas por Ana Velloso); Aracy Cortes (*interpretada por Beatriz Rabello); Donga e Martinho da Vila (*interpretados por Alan Rocha); Noel Rosa (*interpretado por Cristiano Gualda) ; Cartola e Sinhô (*interpretados por Wladimir Pinheiro); Ismael e Getúlio Vargas (*interpretados por Édio Nunes)
* Intérpretes feitos com base no elenco original 

Diogo Nogueira canta a música tema de ‘SamBRA’ 

 

Repertório: 
Não dá pra falar de um musical que contava sobre os 100 anos do Samba sem contar seu repertório. O musical era composto por 48 números musicais que somavam mais de 50 canções. Entre elas, no 1º Ato: Apoteose ao Samba (Silas de Oliveira – Mano Décio da Viola); A voz do morro (Zé Keti); Batuque na cozinha (João da Baiana); Baiana do Tabuleiro (André Filho); Vatapá (Dorival Caymmi); Jura (Sinhô); Se você jurar (Ismael Silva – Nilton Bastos – Francisco Alves); Aquarela do Brasil (Ary Barroso); Boneca de Piche (Ary Barroso – Luís Iglesias); No Rancho Fundo (Ary Barroso – Lamartine Babo); Ao amanhecer (Cartola); Sempre Mangueira (Nelson Cavaquinho – Geraldo Queiroz); Folhas secas (Nelson Cavaquinho – Guilherme de Brito); As rosas não falam (Cartola) e Súplica (João Nogueira – Paulo César Pinheiro) 


E no 2º Ato: A volta do malandro (Chico Buarque); 30- Feitiço da Vila (Noel Rosa – Vadico); Vila Isabel (Dunga); O que é que a baiana tem? (Dorival Caymmi); Que será? (Marino Pinto – Mário Rossi); Vingança (Lupicínio Rodrigues); Cantoras do Rádio (Lamartine Babo – João de Barro – Alberto Ribeiro); Chega de saudade (Tom Jobim – Vinicius de Moraes); Bim bom (João Gilberto) Garota de Ipanema (Tom Jobim – Vinicius de Moraes) Roda Viva (Chico Buarque); Vou festejar (Jorge Aragão – Dida – Neoci); Desde que o samba é samba (Caetano Veloso) e Não deixe o samba morrer (Edson – Aloísio)

 

Turnê  
Sendo um ritmo tão popular entre todos os brasileiros, o musical percorreu o país em turnê durante os meses de Maio e Junho de 2015. Para tanto, foi realizada uma coletiva do musical em Belo Horizonte (MG), primeira cidade do roteiro da turnê, que reuniu jornalistas e imprensa das diversas cidade onde ‘SamBRA’ fez temporada.


As cidades que se tornaram palcos da turnê de ‘SamBRA’ foram: Belo Horizonte, no Grande Teatro do Palácio das Artes; Salvador, no Teatro Castro Alves; Brasília, no Espaço Cultural Brasília (Iguatemi Shopping); Porto Alegre, no Teatro Oi Araújo Viana e Curitiba, no Teatro Guaíra.

 

Curiosidades:
Apesar da produção de altíssimo nível ‘SamBRA’ não se enquadrava na premiação para o Prêmio Bibi Ferreira pois sua temporada não cumpriu o número mínimo de apresentações durante sua temporada de estreia em São Paulo.

 

O musical marcou a estreia do cantor e compositor Diogo Nogueira como ator nos palcos. Diogo que já tinha experiência como apresentador de televisão, mas para ‘SaMBRA’, foi necessário mergulhar fundo no universo da atuação, assessorado pelo produto Afonso Carvalho e o diretor Gustavo Gasparani.

 

A maioria do elenco de ‘SamBRA’ foi composto por pessoas que tinham alguma ligação íntima com o Samba. Entre os atores e cantores, havia aqueles que atuavam como sambistas e compositores; passistas em escolas de sambas; e até ligações familiares, como por exemplo a atriz Beatriz Rabello, filha do sambista Paulinho da Viola.

 

Para a escrita do texto, Gustavo Gasparani e Rodrigo Azulguir passaram três meses envoltos em pesquisa e registros da história do centenário do samba.

 

Nas apresentações de estreia no Rio de Janeiro e São Paulo foi visto e ovacionado por grandes figuras do Samba Nacional como Beth Carvalho; Paulinho da Viola; Arlindo Cruz; Jorge Aragão; Monarco; Caetano Veloso e Marisa Monte. Foram apenas 8 sessões, o musical foi ao visto por mais de 18 mil pessoas.

 

Com um século de músicas, a escolha de música privilegiou oferecer ao público a visão mais completa possível dos nomes que contribuíram na criação, evolução e difusão do ritmo. No musical, os artistas aparecem personificados em cena pelos atores (como João Gilberto e Carmem Miranda), outros em um número musical e outros ainda lembrados pelas suas composições, onde a música se torna texto falado pelos atores.

 

A turnê de ‘SamBRA’ foi documentada e transmitida pelo Canal Viva . O espetáculo foi exibido na íntegra na TV, porém dividido em bloco, mostrando também trechos dos bastidores e entrevista com elenco e criativos sobre a experiência de excursionar com o musical pelo Brasil.

 

O musical se apresentou no “Palco Musical” da Virada Cultural da cidade de São Paulo no de 2016, palco em que também se apresentaram ‘Meu Amigo Charlie Brown’, ‘Raia 30’, ‘Dzi Croquetes’ e ‘Aquele Abraço, Gilberto Gil – O Musical’.

 

Em Belo Horizonte, houve uma reação curiosa da plateia durante o quadro “Cacique de Ramos”: Ao cantarem a música “Vou Festejar” a plateia foi ao delírio cantando junto e bradava fervorosamente “GALO!”, em referência ao Clube Atlético Mineiro. A música em questão acabou virando uma espécie de hino da vitória para os atleticanos quando o time de futebol mineiro completou 100 anos em 2008. Quem não ficou muito feliz com a manifestação foi o público cruzeirense que estava presente.

 

Gustavo Gasparani, autor e diretor do musical, é passista da Escola de Samba Mangueira, no entanto, mesmo com o coração verde e rosa, Gasparani trouxe ao espetáculos homenagens as principais agremiações de Samba do Rio de Janeiro, tendo ao longo do espetáculo referências direta à Portela, Vila Isabel, Beija Flor e outras.

 

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