Ficha Musical #03 – Chaplin

23/2/2017

Em clima de Oscar®, a grande festa do cinema, nosso #FichaMusical dessa semana traz um musical que conta a história de uma das mais emblemáticas figuras do cinema: Vem Ver Charles Chaplin!

 

CHAPLIN - THE MUSICAL

 

Música e Letra: Christopher Curtis
Libreto: Christopher Curtis e Thomas Meehan
Direção Original: Warren Carlyle
Cronologia e Estreia: 2006 -> Festival de Teatro Musical de Nova Iorque, onde ainda era chamado de “Behind the Limelight: The Story of Charles Chaplin”.

2010 -> La Jolla Playhouse na Califórnia, em 2010, dessa vez chamado de apenas “Limelight”.

2012 -> Broadway, renomeado simplesmente ‘Chaplin’, onde fez temporada no Barrymore Theatre entre 19 de setembro a 6 de janeiro, após 24 previews e 136 apresentações.

 

Elenco Original/Broadway: Rob McClure (Charles Chaplin), Erin Mackey (Oona O’Neill), Jim Borstelmann (Alf Reeves), Wayne Alan Wilcox (Sydney), Jen Colella (Hedda Hopper), Michael McCormick (Mack Sennett), Christiane Noll (Hannah Chaplin) e Zachary Unger (Young Charlie).

 

Tonys: Com curtíssima temporada, ‘Chaplin’ não fez a melhor campanha no Tony Awards® em 2013, sendo indicada apenas a categoria de ‘Melhor Ator Protagonista em Musical’, a qual Robert McClure perdeu a estatueta para Billy Porter (Kinky Boots).


No entanto, o musical recebeu 6 indicações ao Drama Desk Awards, ganhando na categoria ‘Melhor Design de Som’ pelo trabalho desenvolvido por Drew Levy e Scott Lehrer.

 Chaplin: The Musical na Broadway- Uma dos pontos fortes elogiados pela crítica está no figurino e cenário recriando a atmosfera do Cinema em P&B

 

Sinopse: Trocando em miúdos, a ambição de ‘Chaplin: The Musical’ é de resumir a história de vida e carreira de uma lenda em um musical de pouco mais de duas horas. Durante o musical é apresentado ao público cenas de sua trajetória e revelando aspectos de sua estrutura familiar e seus relacionamentos amorosos. A vida de Charles Spencer Chaplin contada desde sua infância em Londres, mostrando sua mudança para os Estados Unidos e como seu jeito único de fazer comédia dentro do cinema mudo foi sendo reverenciado pelo público e crítica até o momento em que ele foi homenageado na década de 1980 com um Oscar honorário.

 

Personagens 
Charles Chaplin: Protagonista e o biografado do espetáculo. Charles Chaplin foi um multi-artista: Ator, diretor, bailarino, instrumentista, cantor, mímica, acrobata e muitas outras habilidades que o tornavam um artista completo. No musical acompanhamos sua carreira e como seu célebre personagem ‘Carlitos’, o vagabundo, foi concebido testemunhando o sucesso de Chaplin até sua expulsão do país sob acusações de ser comunista, até os últimos dias de sua vida.


Sidney: O irmão mais velho de Chaplin, também filho de Hannah, mas com outro homem. A cumplicidade entre os irmão foi além dos laços familiares, sendo Sidney um importante auxiliar e empresário da carreira do irmão.


Alf Reeves: Um dos melhores amigos de Chaplin e que era encarregado de gerenciar as produções em que Chaplin estava envolvido.
Hannah Chaplin: Mãe de Charles e Sidney, uma ex-atriz e cantora que teve de largar a carreira ao ser acometida por um problema na laringe. Ficou demente ainda muito jovem e não chegou a ter total compreensão do sucesso que o filho Caçula estava fazendo na indústria cinematográfica.


Mack Sennett: Foi o empresário que levou Chaplin do teatro para o cinema e que instigou nele a necessidade de ser cômico para fazer sucesso.
 

Oona O’Neill: A quarta e última esposa, com quem Chaplin permaneceu casado até sua morte. Charlie a conhece quando ela ainda era bem nova durante as filmagens de um dos filmes. Casou-se aos 18 anos e teve com Chaplin 8 filhos.


Fred Karno: Dono de uma companhia de atores em Londres, sendo a Cia de Atores Fred Karno a primeira que Charles Chaplin integrou. Apesar da importância na carreira de Chaplin, esse personagem não existiu na montagem da Broadway, sendo estreado na montagem brasileira.


Hedda Hopper: Uma jornalista fofoqueira e obstinada muito influente por meio de sua coluna no jornal. É extremamente determinada a destruir a carreira de Charles Chaplin com algum podre.


Pequeno Chaplin/ Jackie (Garoto): Um jovem ator alterna entre os dois papeis, como o Charlie ainda criança ao lado da mãe e fazendo também Jackie Coogan, a criança que imitava Chaplin e que conquistou o carisma do ator tendo o contratado para fazer o papel-título no filme ‘ O Garoto’.

 

No Brasil: 

Não tem como falar desse musical sem sentir certo orgulho do nossa produção. Isso porque quando ‘Chaplin, O Musical’ chegou ao Brasil o espetáculo sofreu uma grande reformulação acompanhada de perto pelos próprios criativos da Broadway. Trazido ao Brasil pela Raia Produções em parceira com a Chaim XYZ Live, “Chaplin: O Musical” chegou aos palcos brasileiros com um frescor de novidade que foi um presente do compositor Christopher Curtis para os brasileiros. Na montagem nacional, novas cenas e 6 canções inéditas foram acrescidas, entre elas “Music Hall”; “O Sonho do Teatro”; “O Garoto” e “A Vida que Você Sonhou”.

 A canção inédita “O Sonho do Teatro”, comandada por Leandro Luna. Crédito: Cena Musical

 

A equipe criativa brasileira contava com Miguel Falabella nas versões para o português; o Maestro Marconi Araújo foi responsável pela direção musical e orquestra; Alonso Barros com as coreografias e, Fábio Namatame com os figurinos, todas essas, parcerias já tradicionais nos espetáculos assinados por Cláudia Raia e sua produtora. O cenógrafo inglês Matt Kinley, responsável pela cenografia de ‘Les Misérables’ (Broadway) assinou o cenário e a direção do argentino Mariano Detry, também indicado ao Bibi Ferreira por seu trabalho em Chaplin. Ao todo o musical recebeu 7 indicações, conquistando a estatueta de ‘Melhor Cenário’.

 

Jarbas Homem de Mello defendeu Chaplin com muita maestria, tendo se dedicado a aulas particulares de slack line, violino, circo, entre outras coisas (além de ter assistido toda a filmografia de Chaplin) para mergulhar de vez no universo dessa personagem. O resultado foi bastante elogiado pela crítica e Jarbas foi ainda indicado como ‘Melhor Ator’ na 3ª edição do Premio Bibi Ferreira.

 

Ao lado de Jarbas, Marcello Anthony fazia sua estreia num grande musical como Sydney, meio-irmão e fiel companheiro de Chaplin. A talentosa Giulia Nadruz foi Oona O’Neill, papel que lhe rendeu indicação ao Bibi Ferreira de ‘Melhor Atriz Coadjuvante’; já Leandro Luna teve a grande responsabilidade de ser o ator a originar o papel de Fred Karno. Naíma e Paulo Goulart voltaram aos musicais como Hannah Chaplin e Mack Sennett respectivamente. Paula Capovilla deu voz a vilã Hedda Hopper. Somavam-se ainda no ensemble: Ana Catharina Oliveira (Mildred Harris); Arthur Berges (Gordão); Andrezza Medeiros (Mabel Normand); Felíppe Moraes (Jovem Sydney); Fhilipe Gislon (Douglas Fairbanks); Julia Duarte (Joan Berry); Gustavo Cecarelli (Sr. Chpalin); Marcos Lanza (Vilão); Mariana Tozzo (Molly); Mau Alves (Alf Reeves); Talitha Pereira (Enfermeira) e Vânia Canto (Secretária da Hopper). Curiosamente, apesar de ser um musical de grande produção, ‘Chaplin, O Musical’ não tinha atores swings.

Vídeo promocional da produção brasileira de Chaplin. 

 

Ao contrário do flop de bilheteria na Broadway, a história do ícone do cinema no Brasil teve grande sucesso pela crítica e público. Ao todo, o musical computou 3 temporadas: Estreou em São Paulo, em maio de 2015 no Theatro NET SP, seguiu para o Rio de Janeiro onde fez temporada durante o mês de agosto no Vivo Rio e depois retornou à São Paulo para temporada popular no Teatro Procópio Ferreira.

 Registro das audições para compor o elenco da montagem brasileira que contava na banca o Maestro Marconi Araújo, a produtora Claudia Raia, o coreógrafo Alonso Barros e ele, Jarbas “Chaplin” de Mello.

 

Curiosidades: 

 

De maneira geral, a recepção da crítica sobre o musical foi boa: de acordo com o The New York Times a maneira com que o roteiro mostra a carreira e o caminho do estrelato de Chaplin, emociona o público e pontua para as novas gerações o nascimento de um ícone cultural. Apesar de ter agradado a crítica, a resposta do público não foi positiva. Durante o período do Thanksgiving, um dos períodos de maior procura e venda dos ingressos na Broadway, o musical fez sessões com apenas 57% da casa presente, levando aos produtores a optarem por abreviarem a temporada logo após o fim da época de Natal-Ano Novo.

 

Quando foi anunciado o projeto de ‘Chaplin: The Musical’, foi pensando que o musical seria uma adaptação do filme “Chaplin” de 1992. No entanto, foi depois comprovado que a obra não tinha nenhum vínculo com o filme.

 

Robert McClure, quando estava em turnê com o musical ‘Avenue Q’, recebeu um cartão temático de Chaplin da sua colega de elenco Lexy Fridell com os dizeres ‘’eu te comprei esse cartão porque algum dia, você vai ser Chaplin em um musical da Broadway”. Isso aconteceu em 2009 um ano antes do musical ser anunciado e McClure sequer sabia da existência do projeto!

 

No Brasil, Chaplin se apresentou nas cerimônias de premiação dos Prêmios Aplauso Brasil e Bibi Ferreira.

 

A produção do musical na West End londrina chamada “Chaplin – The Charlie Chaplin Story” não é relacionada em nada com a produção americana. O musical em questão foi produzido pela Maple Tree Entertainment e focava nas aspirações de Chaplin ao estrelato mostrando também seu relacionamento com sua mãe e sua primeira esposa Mildred Harris.

 

Antes de o musical ser montado no Brasil, a primeira montagem internacional do musical foi na Rússia, produzida como uma réplica conforme a original da Broadway.

 

O processo de caracterização de um ator para se tornar Chaplin leva cerca de 1h. No processo, é necessário que as sobrancelhas sejam tampadas e depois desenhadas de forma que fiquem arqueadas além de deixar o rosto mais pálido e a colocação da peruca.

 

Em entrevista ao programa ‘Encontro com Fátima Bernardes’, o ator Marcello Anthony falando sobre sua participação em ‘Chaplin’ mencionou que a equipe criativa do musical pretende montar o espetáculo na West End com base nas mudanças que foram feitas no Brasil.

 

O ator Robert McClure revelou em entrevista que uma das netas de Charles Chaplin foi assistir ao musical e enviou um e-mail ao compositor perguntando a respeito de uma das cenas que foi projetada durante o musical do qual ela não conseguia lembrar-se de qual filme era. A cena em questão tinha sido gravada pela produção do musical com próprio McClure, ou seja, a neta de Chaplin confundiu o avô com o ator do musical. McClure ficou lisonjeado com o elogio que estava recebendo da família devido a sua semelhança física com Chaplin.

 

Please reload