50 anos de ‘Mame’

2/6/2016

 

No último dia 24 de maio comemoramos o aniversário de estreia de um musical que fez muito sucesso nos anos 60: “Mame”, e nós, do Backstage Musical não podíamos deixar de comemorar esse cinquentenário. 


O musical foi inspirado no livro Auntie Mame, de Patrick Dennis, escrito em 1955, foi adaptado para o teatro, em 1956, e virou filme homônimo em 1958, estrelado por Rosalind Russel. Devido ao sucesso da história, os escritores Jerome Lawrence e Robert Edwin Lee, que haviam assinado o enredo da peça ‘Inherit the Wind’, se reúnem com o músico e compositor Jerry Herman e apresentam um esboço de adaptação para os palcos da Broadway da peça Auntie Mame. Herman vinha de um grande sucesso do ano de 1964, por suas composições premiadas do musical ‘Hello, Dolly!’, aceitou o convite e compôs cerca de quinze músicas para o musical. Inicialmente, pensou-se no nome My Best Girl, uma referência a uma das músicas da trilha.

Já no período de pré-estreias, decidiu-se por manter o nome de Mame, aproveitando o sucesso do filme e da peça anteriores. No enredo, a excêntrica boêmia Mame Dennis vive esbanjando dinheiro em noitadas e festas intermináveis na Nova Iorque do fim dos anos 20. A vida dela muda do dia para a noite quando, durante a leitura do testamento de seu irmão recebe a notícia de que é a partir daquele momento a tutora legal de seu sobrinho órfão, Patrick Dennis, assim como mantenedora de seus bens e funcionários (entre eles, a divertida babá Agnes). 


 

 

Junto com a dificuldade de aprender a lidar com uma criança em meio as suas extravagâncias e festas adultas, Mame se vê falida, após a quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque. Para manter a casa e seu sobrinho, tenta entrar para o meio do show business ao lado de Vera Charles, sua melhor amiga. Vera oferece um pequeno papel a Mame na sua opereta ‘O Homem na Lua’: O fracasso é total, ela é demitida e vai trabalhar numa loja de conveniência, onde conhece um rico fazendeiro do sul, Beauregard Jackson Pickett Burnside, com quem se casa. 

O tempo vai passando, Patrick é matriculado num colégio interno, Mame e Beau vivem numa eterna lua de mel, até que Beau morre numa avalanche nos Alpes. De volta à Nova Iorque, Mame decide restaurar antigas amizades e voltar a se aproximar de seu sobrinho. A história termina com Patrick casado, com um filho, sendo ensinado por Mame sobre seu lema, repetido diversas vezes durante o espetáculo: “A vida é um banquete e a maior parte dos filhos da puta morre de fome!”

A produção original estreou em 24 de maio de 1966 no Winter Garden Theatre e foi transferido em 1969 para Broadway Theatre, onde permaneceu até 1970. Foram ao todo 1508 performances e 5 previews. Essa produção contava com a direção de Gene Saks, coreografias de Onna Branco, e tinha Angela Lansburry como Mame; Beatrice Arthur, como Vera Charles e Jane Connel, como a babá Anges. O sucesso da peça foi imediato, embora a crítica especializada tenha considerado a história semelhante com a de ‘Hello, Dolly!’. A peça recebeu 8 nomeações de Tony, vencendo três categorias: Melhor Protagonista (Angela Lansbury), Ator Revelação (Frankie Michaels) e Melhor Atriz Coadjuvante (Beatrice Arthur). 

Curiosamente, o papel de Mame foi adaptado por Jerome Lawrence e Robert Edwin Lee para ser feito por Judy Garland. Depois de algum tempo de conversa, a produção do espetáculo teria desistido por achar que ela, que vinha apresentando problemas de estresse, não teria condições de se apresentar oito vezes por semana, sendo assim, tirada do projeto. 

 

Mame teve montagens em Londres, em 1969, um revival na Broadway em 1983 e uma nova remontagem em 2006, em comemoração aos 40 anos do espetáculo. Além das montagens de teatro, ganhou uma versão musical em longa metragem em 1974, com Lucille Ball no papel de Mame e Beatrice Arthur como Vera Charles. A crítica foi dura quanto ao fato de Lucille ser uma excelente atriz e comediante, porém, uma cantora mediana. 

A verdade é que, além de uma comédia-dramática graciosa, Mame deixa para o mundo nos últimos 50 anos, uma trilha sonora de tirar o fôlego, com músicas cantadas até hoje. Entre elas, a canção-título “Mame”; “It’s today”; “Open a New Window”; “Bosom Buddies” (usada à exaustão por amigos que brigam mas se amam) e “We Need a Little Christmas”, uma das músicas mais executadas na época do Natal. Das músicas compostas por Jerry Herman, duas foram excluídas: “Camouflage” e “Love is Only Love”, que acabou sendo reaproveitada no filme ‘Hello, Dolly!’.

 

 

 

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