10 Motivos para não perder Mudança de Hábito

7/12/2015

Nessa última semana, São Paulo se despede do musical "Mudança de Hábito" produção da Time For Fun que marcou o ano de 2015 e que transformou o Teatro Renault em uma grande igreja avivada levando uma série de fiéis a fazer via sacra na Brigadeiro Luís Antônio por repetidas vezes. Mas se você é desses que ainda não foi conferir de perto esse musical, o Backs preparou uma listinha singela com 10 motivos para quem sabe assim convertê-los a ir conferir de perto essa divina comédia musical da Broadway.

1. O musical se originou de um filme que já um ícone cultural 

Até o mais desavisado consegue relacionar a atriz Whoppi Goldberg a esse clássico do cinema. O filme é de 1992 e foi um grande sucesso, rendendo uma continuação no ano seguinte e anos mais tarde a adaptação dos palcos produzido pela própria Whoppi Goldberg. Sim, há diferenças entre o filme e o que vemos nos palcos, mas a história é a mesma, o que tem atraído diversas pessoas ao teatro para conferir o resultado e que tem se surpreendido. Esse fenômeno não ocorreu só em São Paulo, mas nos outros 11 países onde o musical ficou em cartaz, sendo sucesso absoluto e conquistando a aprovação dos fãs do consagrado filme.

 

2. O elenco que está com tudo

Após um período de audições intenso, o elenco formado para a montagem brasileira de 'Mudança' é sem dúvida um grande achado. Encabeçado pela incrível Karin Hills como Deloris Van Cartier, o público se diverte com talentosos artistas em cena que dão vida a personagens bem desenhados na trama. César Mello (Curtis) é daqueles vilões malandros que amamos odiar e que conta com um trio de capangas (Beto Sargentelli, Max Grácio e Tiago Barbosa) atrapalhados e que arrancam risadas da plateia. Já Thiago Machado (Eddie Souther) conduz a plateia a torcer pelo seu personagem pois com carisma inegável, o ator mostra a evolução de um policial tão menosprezado a um dos grandes heróis da trama. Prepare-se para se divertir com o Monsenhor showman de Fred Silveira e a Madre Superiora carrasca de Adriana Quadros, sem deixar de mencionar ainda nas alopradas Irmãs Maria Patrícia (Andreza Massei) e Maria Lázaro (Daniela Cury) e ainda ser surpreendido com a tímida Irmã Maria Roberta, personagem que marca a estreia da atriz Ana Luiza Ferreira nos grandes musicais: o solo da noviça é realmente emocionante.

 

3. O ensemble: A congregação que solta a voz

Não só o elenco é incrível, mas o ensemble merece destaque especial: composto em sua maioria por mulheres que interpretam as freiras do convento Rainha dos Anjos, entre outras personagens, esse elenco carrega uma particularidade visto a dificuldade das músicas em meio a notas tão agudas, um som bem metálico e coreografias bem elaboradas. Conscientes em cena, todo o ensemble masculino e feminino ganha seu espaço no palco com perfomances vivas e carregadas de intencionalidade. De maneira geral, a energia do musical está sempre alta, e a unidade do elenco chega a plateia, a deixando anestesiada perante maravilhosos números musicais.

4. Pra rir, todo santo ajuda

Uma coisa precisa ficar bem clara quando você chegar ao Teatro Renault: Você está indo ver uma comédia musical. Como toda boa comédia, 'Mudança' diverte a plateia com piadas e situações cômicas. Por mais diferentes que sejam as personagens, cada uma delas traz nuances de humor que são contabilizadas na soma geral do espetáculo, resultando em um saldo positivo de muitas risadas. A tradução do texto em especial é a responsável por gerar isso no público, com adaptações de piadas e situações para que entendimento do público não seja comprometido. Vale ainda destacar que se nos filmes de comédia romântica o gênero se afirma pela amiga carismática e engraçada da protagonista, em 'Mudança' o gênero comédia musical se afirma com o 3 capangas vividos por Sargentelli, Grácio e Barbosa durante a interpretação da música "Lady in the Long Black Dress" (Gata, o Preto lhe Cai Bem), uma das canções mais bem humoradas da peça, onde os atores capricharam em trazê-la a vida. Se o riso é um remédio, 'Mudança de Hábito' é a dose divina que traz cura a alma.

 

5. Trilha Sonora: O som que sobe até as nuvens celestiais 

Com uma trilha totalmente original, não usando nenhuma das músicas do filme, acredite, você não vai sentir falta de "Oh Happy Day" durante todo o musical. A incrível trilha sonora do musical é composta por Alan Menken e Glenn Slater que muito provavelmente iniciou muita gente nos musicais com suas composições para as animações (e musicais) da Disney. Menken é o compositor de 'A Pequena Sereia', 'A Bela e a Fera', 'Aladdin', 'Pocahontas', ' O Corcunda de Notre Dame', 'Hércules' e do recente sucesso, 'Newsies', e Slater foi letrista em grande parte de suas composições. Todas a vibe dessas canções envolventes desses filmes permanece dentro do musical, e você vai arrepiar, dançar na cadeira e sair cantarolando. Os arranjos são maravilhosos, as letras originais muito inteligentes e a versão para o português de Bianca Tadini e Luciano Andrey fez jus a genialidade do trabalho original e o elenco afinadíssimo interpreta com muita alegria o divino repertório do musical.

6. As coreografias e rebolado angelical

Para toda boa música pede-se uma coreografia a altura. Em 'Mudanca' a coreografia pode não ser com pernas na cabeça, pirouettès e grand jetes que nos deixam embasbacados, afinal são freiras dançando em um coral, mas nem por isso é menos especial. Muito pelo contrário, toda criação coreográfica de Anthony Van Laast (assumida no Brasil pela coreógrafa e diretora residente Fernanda Chamma) é de encher os olhos por ressaltar a beleza da música, valorizar a capacidade artística do elenco e é claro, deixar o público fascinado por apresentar movimentos aparentemente simples que enchem o palco com uma boa energia.

 

7. O milagroso cenário 

Já até nos acostumamos aos grandes cenários das produções em Teatro Musical e com 'Mudança' não poderia ser diferente: Cada espaço físico onde a trama se desenvolve foi tratado com especial decoro e no final, temos um conjunto muito bonito e rico de detalhes. Passamos por uma boite disco, um beco, uma delegacia de polícia, um bar, um apartamento e um convento com seus diversos ambientes que vão desde o dormitório das freiras, ao confessionário, passando pelo refeitório, igreja, sala do coral e corredores e uma imagem de Nossa Senhora de 5 metros de altura. A maneira como a passagem desses cenários se dá é impressionante, fruto de uma técnica e bastidores muito bem alinhados e concentrados, e que nos leva a pontuar, que ao lado dos figurinos brilhantes e repletos de lantejoulas, a estética do musical como um todo é um de seus grandes atrativos.

8. A leveza que vai elevar sua alma 

O teatro enquanto forma de expressão artística tem o poder de informar, conscientizar, educar e entreter a sociedade. Por mais que 'Mudança' não seja um musical mais "cabeça", temos um espetáculo leve que leva entretenimento de qualidade e funciona como um bálsamo de Gileade (seja lá o que isso quer dizer) para o público. Mesmo sendo despretensioso com relação a difusão de um ensinamento moral ou uma reflexão mais contundente, o musical consegue ainda nos fazer valorizar a amizade, a ter fé no ser humano e ainda nos mostra o quanto podemos aprender e ser enriquecidos diante de situações adversas, aprendendo com aquele que é diferente de nós.

 

9. O amém dos fiéis 

O Backs já deu seu aval positivo ao musical, mas se ainda não se convenceu, vale lembrar que o musical conquistou o Prêmio Arte Qualidade Brasil na categoria de 'Melhor Musical' em 2015. No Prêmio Bibi Fereira, principal honraria do Teatro Musical Brasileiro, 'Mudança' levou os seguintes prêmios: Melhor Atriz Coadjuvante (Adriana Quadros, Madre Superiora); Atriz Revelação (Ana Luiza Ferreira, Irmã Maria Roberta) e Melhor Versão Brasileira. Além disso, 'Mudança foi indicado a 'Melhor Musical' no Bibi e, Karin Hills e Thiago Machado foram ambos indicados ao Bibi Ferreira e ao Prêmio Arte Qualidade Brasil pela sua performance. Os atores Beto Sargentelli, e César Mello foram indicados ao Prêmio Aplauso Brasil (Primeiro Semestre). Ou seja, a crítica reconhece a excelente qualidade da produção e de todos envolvidos.

 

10. A benção do tempo

Mais tempo em cartaz significa maior maturidade no elenco que está cada vez mais seguro das ações cênicas e confortável com suas personagens; da orquestra que já memorizou de cor toda a partitura e também; evolução e perícia de toda equipe técnica e de bastidores que trabalha arduamente para que tudo ocorra perfeitamente e que cada brecha seja respeitada. Tudo isso garante que um espetáculo esteja impecável, sobretudo com os olhar da direção residente. No entanto, ao chegar ao 10º mês da temporada, o musical já está em suas últimas sessões e, é muito interessante de se notar em cena, que ao invés de o ritmo e energia cair por conta da repetição de cerca de seis espetáculos semanais, a proximidade do fim da temporada deixa o elenco mais a flor da pele com uma atuação mais visceral e verdadeira. Aos que já assistiram uma vez, conseguem ver o quão verossímil tem sido a cena onde Curtis por fim encontra Deloris no convento a as irmãs a protegem.

 

Realmente, não dá pra ficar de fora dessa bagunça santa. Se você já viu, vale a pena rever uma última vez e despedir com estilo deles que estão soltando a voz e espalhando muito amor por São Paulo. No próximo domingo, dia 13/12, será a última missa do Convento Rainha dos Anjos, e sua última chance de ser levado ao Paraíso com eles que estão com tudo!

 

SERVIÇO  
Temporada até dia 13/12
Teatro Renault (Av. Brigadeiro Luis Antônio, 411)
Quintas e Sextas às 21h, Sábados às 17h e 21h, Domingos às 16h e 20h
Bilheteira online: http://www.ticketsforfun.com.br/

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