O Legado Fosse

Coreografado em estilo Bob Fosse”, você provavelmente já se deparou com essa frase na ficha técnica de algum musical; ou ainda, quando aluno de algum curso de Teatro Musical já teve que aprender a dançar em Fosse Style

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Robert “Bob” Louis Fosse (*23/6/1927 - †23/9/1987) foi um importante dançarino, coreógrafo e diretor que deixou um importante legado para a dança e o Teatro Musical: suas coreografias são facilmente reconhecidas e suas influencias nas criações contemporâneas, facilmente percebidas. Hoje, dia 1º de Setembro em que se comemora o Dia do Bailarino, nada mais apropriado do que falar sobre sua carreira e influência para a dança.

Nascido em Chicago (IL), Bob iniciou-se na dança ainda muito cedo. Os pais foram seu primeiro contato com a arte, no entanto, o talento do pequeno Robert foi se desenvolvendo quando ingressou na Escola de Ballet Frederick Weaver, sendo introduzido ao sapateado e a dança acrobática. Ainda em sua juventude, fixou parceria com seu amigo Charles Grass por meio do The Riff Brother com o qual fez turnê pela região de Chicago. Fosse foi se destacando e começou a sonhar grande, planejando sua mudança para Nova Iorque, aonde foi notado por empresários e começou a trilhar uma carreira de ascensão ao sucesso.

 

Das telas para os palcos da Broadway, o caminho dançado por Bob Fosse foi marcado pela versatilidade de seu grande potencial artístico. Fosse começou como ator e dançarino em filmes da MGM, sua estreia na Broadway foi como coreógrafo do musical “The Pajama Game” em 1954, com qual ganhou seu primeiro Tony Award® de melhor coreografia. O talento pela direção veio das suas constantes desavenças com diretores e produtores que queriam limitar, interferir e alterar algo em suas coreografias, sendo assim, atuou como diretor e coreógrafo em muitos musicais de sucesso da década de 1960 e 1970.

 

Uma de suas grandes musas inspiradoras foi a atriz Gwen Verdon, com quem inclusive foi casado por onze anos. A atriz ganhou dois prêmios Tony® de Melhor Atriz Protagonista em um Musical, o que evidenciava o sucesso da parceria. No cinema, sua musa foi Liza Minelli, a quem dirigiu em “Cabaret”, filme que levou oito prêmios Oscar®, incluindo de Melhor Diretor. Aliás, os prêmios foram algo bastante comum na carreira de Fosse: ao todo, foram 9 Tonys (8 como Coreógrafo, 1 como Diretor), 3 Emmys, 1 Oscar 1 BAFTA e muitos outros prêmios e indicações, valendo lembrar que Fosse foi o único que ganhou 3 prêmios de Melhor Direção no Oscar (Cabaret), Tony (Pippin) e Emmy (Liza With Z) no mesmo ano (1973).

 

A lista de produções com as quais Fosse se envolveu é enorme e para tanto, organizamos esse pequeno infográfico com seus principais trabalhos:

Ainda sobre seus trabalhos, vale destacar o filme, “The Pajama Game” e “Damn Yankees” como os primeiros em que seu peculiar estilo foi percebido. Há ainda o filme, e depois musical da Broadway, “All That Jazz”, que é um semi autobiografia de sua vida, que conta a história de um diretor-coreógrafo mulherengo com problemas com vícios e saúde fragilizada.


O estilo que o consagrou é verdadeiramente icônico: As mãozinhas de jazz (na maioria das vezes calçadas com luvas brancas), o remexer de quadris, a caída de ombros, o charme do caminhar, os pés virados. Tudo compunha um conjunto que evocava uma sensualidade provocativa, mas em momento algum vulgar. Fosse flertava como a mímica e o vaudeville, trazendo dramaticidade e pitadas cômicas em suas criações que o levaram a ser chamada de “O Pai do Jazz Dance Teatral”. Lembrado por colocar seus dançarinos quase sempre vestidos de preto e usar acessórios como bengalas, cadeiras e chapéu-coco, seu trabalho era marcado por características únicas, que o consagraram. Com detalhes minuciosos, que iam da intenção no olhar a batida de calcanhares, a dança para Bob entrou como subtexto das ações cênicas, carregada de intencionalidade suas inserções dentro da narrativa.

 

É notório ainda o quanto que o trabalho de Bob Fosse permanece nos dias de hoje, tornando sua obra atemporal e uma importante referência. Com a carreira quase que dedicada aos musicais, o estilo Fosse transcende sua influência no campo da dança, traçando novos paradigmas dentro da arte dramática. Em cartaz até hoje, o revival de Chicago é o musical americano há mais tempo em cartaz nos palcos da Broadway, valendo-se dizer que foi bastante premiado (7 Tonys no total) em contrapartida a produção original de 1975 que perdeu todos os prêmios para “A Chorus Line”. Já o recente revival de Pippin, musical pelo qual Fosse ganhou seu Tony como diretor, preservou todo o estilo de sua obra.

 

Nos palcos brasileiros, “Sweet Charity”, “Chicago”, “Cabaret” são algumas das obras que tiveram influencia direta do legado de Fosse. O conhecido e premiado coreógrafo Alonso Barro, usa muitas influências do estilo Bob Fosse em suas criações, além de ser uma importante referência para tantos outros coreógrafos e ementa nos principais cursos de Teatro Musical pelo país. Lembrando ainda que a Möeller & Botelho tem em seu calendário a montagem brasileira de Pippin, o qual, nós do Backs, aguardmos ansiosamente para mais uma vez celebrar a genialidade de Bob Fosse.

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