Vem ver Charlie Chaplin!

Que Charlie Chaplin é um ícone da história do cinema, isso é incontestável, mas, quando foi que o grande Chaplin se tornou ícones dos musicais? “Chaplin: O Musical” já tem estreia marcada nos palcos brasileiros para dia 14 de maio em São Paulo, se tornando um dos poucos musicais biográficos americanos com produção brasileira. Contamos então, um pouco da história desse grande artista para matar (ou aumentar) a ansiedade de vocês.

 

Charles Spencer Chaplin (1889-1977) foi um ator, diretor, produtor, humorista, roteirista, mímico e que, em meio a essa pluralidade de talentos, se tornou uma lenda do cinema. Nascido em Londres, seu legado para a história do cinema e arte ultrapassam as barreiras geográficas e sua fama perdura até os dias atuais. Você provavelmente deve se lembrar de ter assistido “Tempos Modernos” nas aulas de história do colégio ou faculdade.

O talento de Chaplin veio de berço: seu pai era ator e sua mãe, cantora e atriz, que teve a carreira comprometida devido a um problema na laringe. Ainda muito jovem, integrou a trupe de Fred Karno e fez turnê nos EUA algumas vezes até que Chaplin decidiu ficar por lá e fazer sua carreira, sendo enfim contratado dos estúdios Keystone com quem fez seu primeiro filme Making a Living em 1914. No entanto, o grande destaque de Chaplin veio com o personagem que ele mesmo criou “The Tramp” (aqui chamado de Carlitos), um andarilho sem grana alguma, mas com trejeitos e intenção de ser um verdadeiro lorde, trajando o figurino que o consagrou: paletó apertados, sapatos desgastados, o bigode característico e é claro, a bengala e o chapéu-coco.

 

Carlitos fez sua estreia no segundo filme de Chaplin, “Kid Auto Races at Venice]”. Conhecido mundialmente por suas comédias junto ao personagem, Chaplin buscou referências na pantomima, comédia pastelão e mímica, sendo influenciado por outros pioneiros do cinema como Griffith, Linder e os irmãos Méliès. Como na época o cinema era sem som, as piadas abusavam de recursos visuais cênicos para causar o riso no público e, por vezes, eram inseridas onomatopeias escritas durante a edição. “The Tramp” caiu nas graças do público e os filmes de Chaplin passaram a ser bem estimados entre o público da época.

 

O sucesso deu respaldo para que Chaplin tivesse uma participação mais ativa nos seus filmes, atuando como roteirista, diretor e editor. Sua fama cresceu, fazendo com que os estúdios brigassem para tê-lo, o que possibilitou sua estabilidade financeira e enriquecimento. A medida que o cinema foi evoluindo com os filmes sonoros, e mais tarde com os filmes falados, Chaplin foi agregando recursos em suas produções: foi compositor das trilhas de seus filmes, atuando como regente de orquestra algumas vezes; no já citado “Tempos Modernos” a voz do ator é finalmente ouvida em um filme e Chaplin canta a canção (composta por ele próprio) “Smile”.

 

Foram muitos os filmes em que Chaplin contribuiu ao longo de sua extensa carreira, tanto que na primeira cerimônia de premiação do Oscar, foi agraciado com um Prêmio Honorário pela sua versatilidade na produção do filme “O Circo”. O ator ainda recebeu um segundo Oscar honorário pelo seu legado ao cinema, e na entrega do premio já com 83 anos, foi ovacionado de pé por 10 minutos. Sua morte, aos 88 anos, veio em decorrência de uma saúde já fragilizada culminando em um derrame cerebral enquanto dormia.

 

Transformar a história do grande mito do cinema em um musical parecia um caminho óbvio, mas nem tanto assim: Chaplin se destacou nas primícias do cinema, ainda em preto e branco e sem som, sendo assim, como transpor essa realidade histórica para a grandiosidade dos musicais da Broadway sem comprometer aquilo que era a essência do seu trabalho artístico? A primeira a coisa a ser esclarecida é que o musical não é uma adaptação do filme “Chaplin” de 1992, e nem tão pouco uma coletânea dos muitos filmes que o artista atuou/produziu/dirigiu. O intuito principal do musical é ser um tributo, mostrando um pouco de sua vida pessoal e seu impacto para evolução da sétima arte.

 

O musical é uma composição de Christopher Curtis (letra e música) e Thomas Meehan, que assina o libreto junto de Curtis. “Chaplin: The Musical” se tornou conhecido do público pela primeira vez em 2006 durante o Festival de Teatro Musical de Nova Iorque, onde ainda era chamado de “Behind the Limelight: The Story of Charles Chaplin”. Desde então, na busca por investidores e acertos no roteiro, o musical estreou no La Jolla Playhouse na Califórnia, em 2010, dessa vez chamado de apenas “Limelight”. Rob McClure deu vida à Charles Chaplin e Ashley Brown (Oona O’Neill), Jen Colella (Hedda Hopper) e Eddie Korbich (Fred Karno) também compunham o elenco, e Warren Carlyle assinava a direção junto de Michael Unger.

 

O próximo passo então seria a Broadway. Em setembro de 2012 iniciaram-se as prévias e o musical estreou oficialmente em 17 de outubro do mesmo ano no Ethel Barrymore Theatre com McClure ainda no papel principal, mas, com diversas mudanças no elenco e equipe criativa (figurino, cenário, projeto de luz e som...), Carlyle, no entanto, permanecia sob encargo da direção. A temporada foi curta para os padrões Broadway e Chaplin se despediu do Great White Way em 6 de janeiro de 2013, após 160 apresentações.

 

De maneira geral, a recepção da crítica sobre o musical foi boa: de acordo com o The New York Times a maneira com que o roteiro mostra a carreira e o caminho do estrelato de Chaplin, emociona o público e pontua para as novas gerações o nascimento de um ícone cultural. Quem já conferiu o musical pela web, pôde perceber nas piadas e nas nuances cômicas, a clara inspiração nos primeiros filmes da carreira do ator e diretor, o que confere um ar de nostalgia e respeito pelo legado de Charlie Chaplin. A ambição de resumir a história de vida e carreira de uma lenda em um musical de pouco mais de duas horas é um ponto de inflexão, mas, as escolhas sobre quais seriam os momentos pertinentes a serem encenados, foram eficientes, mostrando ao público cenas de sua trajetória e revelando aspectos de sua estrutura familiar e seus relacionamentos amorosos. Já a interpretação de McClure lhe rendeu uma indicação ao Tony de Melhor Ator.

A grande sacada do musical é a maneira com a história é contada: dentro de um estúdio de cinema, nada mais apropriado e metalinguístico. A sonoridade das músicas em muito se assemelha as músicas da época em que o cinema se desenvolvia, recriando a atmosfera temporal. As letras buscaram dar voz ao que não era dito nos filmes, mas de maneira respeitosa, sem tirar o charme do cinema mudo. Já o figurino (juntamente com o cenário), privilegiou nas cenas dos filmes e bastidores, uma estética em tons de cinza, preto e branco: apesar da identidade do visual do musical ser bem colorida (marca, cartazes, etc.), a cartela de cores em cena é mais sóbria, nos fazendo crer que estamos vendo um musical em preto e branco.

 

E agora é a vez de nós, brasileiros, nos encantarmos com as história de Charlie Chaplin, ou em bom português: Carlitos. A expectativa é grande, tanto para nós público, quanto para a produção e equipe criativa. Trazido ao Brasil pela Raia Produções em parceira com a Chaim XYZ Live, “Chaplin: O Musical” chega aos palcos brasileiros com um frescor de novidade que é um presente do compositor Christopher Curtis para os brasileiros. Na montagem nacional, novas cenas e 6 canções inéditas foram acrescidas. Sob direção do argentino Mariano Detry, Chaplin já começa a ganhar seus contornos definitivos e prepara-se para conquistar o público em breve no Theatro NET SP.

O desafio de dar vida, voz e não voz a Chaplin está com Jarbas Homem de Mello, que vem se preparando desde o fim do ano passo para ser o mais fiel possível ao grande ícone do cinema. Entre aulas de circo, violino e muita pesquisa biográfica, o ator buscou a perfeição para reproduzir os gestos e sutilezas de Charles Chaplin, sobretudo no personagem Carlitos, que o consagrou. No elenco ainda constam Naíma com Hannah Chaplin, a mãe do ator e diretor; Giulia Nadruz como Oona O’Neill, a quarta esposa de Chaplin; Paulo Goulart Filho como Mack Sennet, fundador dos estúdios Keystone; Paula Capovilla como a crítica Hedda Hopper; Leandro Luna como o empresário teatral Fred Karno e Marcello Anthony como Sydney, meio-irmão e fiel companheiro de Chaplin; além de um talentoso ensemble. Na equipe brasileira ainda estão Miguel Falabella, com as versões para o português, e Alonso Barros com as coreografias, ambos parcerias já tradicionais nos espetáculos assinados por Cláudia Raia e sua produtora.

 

Dos subúrbios de Londres à gênese dos estúdios de Hollywood, com direito a passagens pela família, romances e simpatias políticas, a história do gênio do cinema mudo é revelada mostrando como ele mudou a história do cinema. “Chaplin: O Musical” é a primeira montagem internacional do musical e já é um marco do teatro musical brasileiro que ansiamos muito para ver. Nosso “Chaplin” será único, mas com a mesma essência e carisma de Carlitos. Os ingressos já estão a venda no site Ingresso Rápido.

 

 

 

 

 

 

 

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